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Brasil

A evolução histórica e os desafios contemporâneos do jornalismo

Da Antiguidade aos meios digitais, a prática jornalística enfrenta transformações tecnológicas e debates sobre objetividade.

Por 3 min de leitura

A evolução histórica e os desafios contemporâneos do jornalismo
A evolução histórica e os desafios contemporâneos do jornalismo

O jornalismo desempenha um papel fundamental na sociedade ao coletar, investigar e analisar informações sobre eventos, fatos e ideias que afetam o cotidiano da população. Historicamente, a atividade passou por diversas fases desde a criação do Acta Diurna na Roma Antiga, em cerca de 69 a.C., por iniciativa de Júlio César para informar a população. A imprensa moderna ganhou impulso a partir da invenção de Johannes Gutenberg em 1447, expandindo-se com o surgimento de jornais periódicos na Europa nos séculos XVII e XVIII, e sofrendo revoluções com a chegada do telégrafo em 1844, do rádio nos anos 1920 e da televisão na década de 1940.

No Brasil, o setor registrou marcos importantes de modernização ao longo do século XX, com destaque para a atuação de Danton Jobim no jornal Diário Carioca a partir da década de 1950. Jobim introduziu conceitos como o lead, a pirâmide invertida e manuais de redação, além de ter participado como docente fundador do primeiro curso superior público de jornalismo no país, na Universidade do Brasil, atual UFRJ, em 1948.

O conceito de objetividade na prática jornalística surgiu no século XIX com a expansão dos veículos impressos, buscando contrapor o jornalismo propagandista do período anterior. Autoras como Gaye Tuchman definem a objetividade como um ritual estratégico que envolve procedimentos como a apresentação de possibilidades conflituosas, o uso de provas auxiliares, a seleção criteriosa de aspas e a estruturação adequada da informação. No entanto, teóricos e pesquisadores apontam as dificuldades de alcançar a neutralidade absoluta em sociedades mercantis e em meio a disputas ideológicas.

Nas últimas duas décadas, o advento da tecnologia digital e da internet transformou drasticamente o consumo e a distribuição de notícias. As organizações jornalísticas enfrentam o desafio de rentabilizar suas versões digitais diante da migração do público para smartphones, computadores e tablets. Esse cenário também impulsionou o jornalismo cidadão, permitindo que pessoas comuns participem ativamente da produção de conteúdos por meio de dispositivos móveis e plataformas online.

O campo acadêmico debate intensamente as funções da imprensa, incluindo conceitos como o "quarto poder" e o caráter ativo dos meios de comunicação na política. Enquanto autores como Hallin e Mancini estudaram o paralelismo político, pesquisadores como o brasileiro Afonso de Albuquerque argumentam que a imprensa atua com flexibilidade para arbitrar disputas políticas e informar o público em nome do interesse coletivo, diferenciando o jornalismo ativo do jornalismo advocatício ou militante.

Além da cobertura política e social tradicional, a escrita jornalística também se fez presente na trajetória de grandes nomes da literatura. Obras como a antologia "Clarice na Cabeceira: Jornalismo", organizada por Aparecida Maria Nunes e publicada pela Editora Rocco em 2012, revelam a vasta produção da autora brasileira Clarice Lispector em crônicas, entrevistas, colunas femininas e conselhos de beleza entre 1940 e 1977, demonstrando como a atividade serviu de laboratório para sua criação literária.

Fontes consultadas

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