Americanas tem recuperação judicial encerrada e ações disparam na Bolsa
Decisão da Justiça do Rio de Janeiro encerra o processo iniciado em janeiro de 2023 após cumprimento das obrigações previstas no plano.
A Justiça do Rio de Janeiro decretou o encerramento oficial do processo de recuperação judicial da Americanas S.A. e de suas subsidiárias, após constatar o cumprimento de todas as obrigações estipuladas no plano com vencimento em até dois anos após a homologação. A sentença foi proferida pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, com base em pareceres favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A notícia provocou forte reação no mercado financeiro e impulsionou os papéis da varejista (AMER3). Na terça-feira seguinte ao anúncio, que marcou o primeiro pregão completo após a confirmação judicial, as ações fecharam em alta de 15,58%, cotadas a R$ 6,90, após alcançarem picos de valorização ainda maiores durante as negociações. A decisão representa um marco simbólico para a companhia após anos de reestruturação.
O processo de recuperação judicial havia sido protocolado em janeiro de 2023, poucos dias após a revelação de inconsistências contábeis estimadas em cerca de R$ 20 bilhões e um endividamento total que alcançava aproximadamente R$ 43 bilhões. A revelação desencadeou uma das maiores crises corporativas recentes do varejo brasileiro, resultando em investigações criminais contra antigos executivos da empresa e em quedas drásticas no valor de mercado dos papéis.
Em comunicado oficial, a diretoria da Americanas classificou o encerramento do processo como um momento decisivo para inaugurar uma nova fase nos negócios. A companhia agradeceu o esforço de seus associados, fornecedores e parceiros ao longo do período e ressaltou que segue comprometida com o fortalecimento de suas operações e o aprimoramento da experiência oferecida aos clientes.
Apesar da conclusão da recuperação judicial, a decisão ainda permanece passível de recursos. Durante a fase final do processo, investidores detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, conhecidos como bondholders, apresentaram contestações que foram consideradas improcedentes pelo juízo responsável. A legislação brasileira permite o encerramento após o cumprimento das obrigações, embora litígios pontuais com credores possam continuar tramitando por vias específicas.
Com o fim da tutela judicial, o foco da varejista se desloca inteiramente para a recuperação operacional e financeira, com o desafio de reconstruir sua competitividade no mercado e recuperar a confiança de investidores e fornecedores. Paralelamente, o episódio da crise contábil segue sob investigação das autoridades competentes, enquanto a gestão atual busca consolidar resultados consistentes no médio e longo prazo.
Fontes consultadas
- Quero Quero, Magalu, C&A e Centauro lideram perdas do varejo na Bolsa após reeleição de Lula mercadoeconsumo.com.br
- Americanas (AMER3): Recuperação judicial é encerrada suno.com.br
- Americanas (AMER3) sobe 15% após Justiça encerrar recuperação judicial melhorinvestimento.net
- Casas Bahia põe executiva que liderou recuperação da Americanas para negociar dívida bloomberglinea.com.br
- Ações da Americanas sobem após fim da recuperação judicial; Veja o histórico dos papéis gazetadopovo.com.br