ANP investiga combustível após quedas de aviões em Minas Gerais
Agência coletou amostras de combustíveis de aviação no Aeroporto da Pampulha para verificar possíveis irregularidades após acidentes que deixaram quatro mortos.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis iniciou uma investigação para apurar a qualidade do combustível de aviação fornecido no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. A fiscalização ocorre na sequência de duas quedas de aeronaves ocorridas na última sexta-feira, que resultaram em quatro mortes após decolagens do mesmo terminal mineiro.
Na última terça-feira, quatro dias após os acidentes, equipes de fiscalização da agência reguladora realizaram a coleta de amostras dos produtos utilizados no abastecimento para submetê-las a exames laboratoriais. Os fiscais também examinaram os registros operacionais de fornecimento e abastecimento no aeródromo para identificar eventuais falhas nos procedimentos ou problemas na composição do material.
Em nota oficial enviada à imprensa, o órgão regulador destacou que vai verificar a existência de possíveis irregularidades ligadas tanto à qualidade dos combustíveis quanto aos processos operacionais de fornecimento. Até o momento, no entanto, não há confirmação de que o material tenha contribuído diretamente para as tragédias registradas.
As duas ocorrências aéreas aconteceram com poucas horas de diferença. Pela manhã, um monomotor Embraer Corisco II Turbo que realizava um voo de teste caiu sobre o pátio de manutenção do metrô em Belo Horizonte, causando a morte do piloto Daniel de Souza da Silva Salomão, de 31 anos. No período da tarde, um bimotor Beechcraft Super King Air 300, pertencente à Polícia Militar de Minas Gerais, caiu perto do Aeroporto do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, resultando nas mortes do tenente-coronel Luis Fernando Silvestre e das tenentes Alice dos Santos Almeida e Gabriela Emília Soares Lacerda Resende.
As investigações sobre os fatores que provocaram os acidentes continuam sob a responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos e da Polícia Civil de Minas Gerais. Tanto a Polícia Militar quanto a empresa proprietária do monomotor, a Bello Fruit Importação e Exportação, informaram que a manutenção das aeronaves estava em dia, e a Agência Nacional de Aviação Civil confirmou a regularidade dos registros.
A autarquia federal ainda não esclareceu se as duas aeronaves afetadas foram abastecidas pelos mesmos fornecedores ou se utilizaram as mesmas instalações e equipamentos no terminal. Caso sejam encontradas irregularidades graves durante as apurações, o órgão informou que medidas cautelares poderão ser aplicadas, incluindo a interdição de instalações.
Historicamente, a última fiscalização nos fornecedores de combustíveis que atuam na Pampulha havia ocorrido em outubro do ano anterior, período em que nenhuma irregularidade foi apontada. Os dados estatísticos do Cenipa indicam que o estado registrou 140 acidentes aéreos e 71 mortes ao longo de uma década, sendo três ocorrências registradas somente na Região Metropolitana de Belo Horizonte desde o mês de maio.