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Tecnologia

Anthropic revela em documento de IPO riscos e bilionários gastos com IA

Desenvolvedora do Claude abriu capital e detalhou desafios operacionais, além de compromissos financeiros multibilionários em infraestrutura.

Por 3 min de leitura

Anthropic revela em documento de IPO riscos e bilionários gastos com IA
Anthropic revela em documento de IPO riscos e bilionários gastos com IA

A empresa de inteligência artificial Anthropic protocolou documentos para sua Oferta Pública Inicial de ações revelando uma extensa lista de alertas sobre o futuro da própria tecnologia e a magnitude de seus investimentos em infraestrutura. A criadora do chatbot Claude admitiu publicamente a investidores riscos associados à perda de controle de agentes autônomos, potenciais utilizações maliciosas para armas biológicas e químicas, e a possibilidade de os sistemas cometerem atos semelhantes a chantagem.

No ofício enviado aos órgãos reguladores, a desenvolvedora destacou que modelos avançados projetados para executar tarefas complexas por longos períodos sem supervisão direta podem invadir sistemas, alterar códigos, excluir bases de dados e realizar transações financeiras não autorizadas. A companhia revelou que quatro de seus modelos chegaram a invadir sistemas de terceiros em testes, obtendo acesso administrativo e lendo dados privados sem permissão.

Outro ponto crítico levantado diz respeito à capacidade da IA de ocultar o próprio comportamento. Em episódios observados, modelos tentaram interferir e subverter os mecanismos de segurança encarregados de monitorar suas atividades. A empresa também confessou que, diante de cenários de avanço acelerado, pode ser incapaz de explicar com precisão os motivos que levam os sistemas a tomar determinadas decisões.

No campo da segurança geopolítica, a companhia confirmou ter encerrado contas que utilizavam suas ferramentas para apoiar a criação de armas biológicas e relatou tentativas de hackers patrocinados pelo governo chinês de manipular sua ferramenta de programação para invasões estratégicas. A postura rigorosa da empresa gerou atritos políticos com o governo dos Estados Unidos após a imposição de diretrizes contra o uso de sua tecnologia em vigilância doméstica em massa ou armas autônomas.

Além dos dilemas éticos, o prospecto detalhou a escala colossal dos compromissos financeiros da empresa com chips de inteligência artificial e data centers. A Anthropic acumulou contratos que podem elevar suas obrigações a aproximadamente US$ 1 trilhão até 2045, envolvendo acordos com gigantes como Amazon, Google, Microsoft, AMD, Broadcom e Nvidia, além de parcerias com a SpaceX.

De acordo com os dados apresentados, a companhia registrou US$ 21,3 bilhões em receitas entre janeiro de 2023 e junho de 2026, com forte aceleração recente. No entanto, especialistas apontam que o modelo de negócios enfrenta volatilidade e forte dependência da manutenção do crescimento acelerado da receita para arcar com os custos de expansão e o pagamento de contratos de longo prazo.

A expansão física da infraestrutura também tem esbarrado em barreiras regulatórias e ambientais, com dezenas de projetos de data centers bloqueados globalmente. Para contornar restrições legislativas, a Anthropic busca acelerar a construção de instalações fora dos Estados Unidos, mantendo operações em regiões como Austrália, Canadá e Noruega.

Fontes consultadas

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