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Saúde

Anvisa proíbe caneta de tirzepatida T36 fabricada no Paraguai

Agência sanitária brasileira baniu a circulação do produto sem registro, enquanto estudos acadêmicos apontam dúvidas sobre a segurança e rastreabilidade da fórmula.

Por 2 min de leitura

Anvisa proíbe caneta de tirzepatida T36 fabricada no Paraguai
Anvisa proíbe caneta de tirzepatida T36 fabricada no Paraguai

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso da caneta emagrecedora T36 em todo o território brasileiro. A medida, publicada no Diário Oficial da União, atinge o produto fabricado no Paraguai pelo laboratório Catedral e que tem como princípio ativo a tirzepatida.

A restrição imposta pelo órgão regulador abrange não apenas operações comerciais, mas também a entrada do produto trazido por pessoas físicas que atravessam a fronteira para uso próprio. Com a nova resolução, a T36 passa a integrar formalmente o rol de marcas paraguaias vetadas no país, juntando-se a outros nomes como Tirzedral, Lipoless, Tirzec e Gluconex.

A decisão da Anvisa ocorre em meio ao crescimento da demanda pelas chamadas canetas emagrecedoras e à proliferação de vendas irregulares pela internet. Recentemente, a agência também barrou a comercialização de produtos semelhantes por meio de sites como o Go Pharma, que anunciava itens sem registro e substâncias como a retatrutida, ainda não aprovada no Brasil.

Para justificar as proibições, a autoridade sanitária aponta a ausência de registro oficial, etapa obrigatória para atestar a segurança, a qualidade e a eficácia de medicamentos comercializados no país. A falta de regulamentação impede o rastreamento de lotes e a identificação precisa da procedência, dificultando investigações sobre possíveis eventos adversos associados ao consumo.

Paralelamente, análises laboratoriais conduzidas por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram a presença da molécula ativa da tirzepatida em amostras de produtos paraguaios apreendidos. No entanto, especialistas ressaltam que a detecção do princípio ativo não comprova a equivalência terapêutica, tampouco garante a ausência de impurezas ou contaminantes.

Documentos técnicos vinculados ao registro da T36 concedido no Paraguai também revelam fragilidades na transparência científica. A bula oficial menciona dados de testes pré-clínicos, como avaliações de carcinogenicidade e interações medicamentosas, sem indicar referências bibliográficas, instituições responsáveis ou fontes primárias verificáveis.

Para intensificar o combate a mercadorias clandestinas, a Anvisa e a Direção Nacional de Vigilância Sanitária (Dinavisa) do Paraguai firmaram um termo de cooperação com vigência de cinco anos. O acordo prevê o intercâmbio de dados sobre certificações, ensaios clínicos e relatórios de apreensões nas regiões de fronteira.

Fontes consultadas

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