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Tecnologia

Aprender a programar é essencial para empresários na era da inteligência artificial?

Especialistas apontam que o papel do gestor moderno é atuar como auditor de processos tecnológicos em vez de desenvolvedor de códigos.

Por 3 min de leitura

Aprender a programar é essencial para empresários na era da inteligência artificial?
Aprender a programar é essencial para empresários na era da inteligência artificial?

Com o avanço acelerado da inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo, muitos empresários questionam se precisam aprender a programar para não perderem competitividade. No entanto, especialistas do setor de tecnologia indicam que a habilidade de escrever códigos não é o requisito fundamental para o sucesso de um negócio até 2028. Em vez de se tornarem desenvolvedores, os líderes devem focar em competências de auditoria e governança.

Guilherme Friol, CEO da Friol Enterprise e especialista com duas décadas de atuação na área, defende que a função do dono de empresa diante da IA é a de um auditor. Segundo ele, o gestor precisa ter clareza sobre onde os dados estão armazenados, quais processos estão sendo automatizados e quais são os riscos caso um fornecedor de tecnologia interrompa seus serviços. Essas respostas estratégicas são consideradas mais valiosas do que o domínio de técnicas de programação ou a criação de comandos complexos.

Para implementar essa visão, a recomendação é estruturar a gestão em três pilares práticos. O primeiro consiste em mapear todos os dados utilizados pela IA, garantindo que a origem das informações seja conhecida e que o acesso seja controlado. Esse cuidado é essencial não apenas para a eficiência operacional, mas também para o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que exige transparência sobre os critérios usados em decisões automatizadas.

O segundo pilar envolve a criação de um mapa de governança. Esse documento deve detalhar onde cada ferramenta de IA opera, se o sistema pertence à própria empresa ou a um fornecedor externo e quem é o responsável pela tomada de decisão em caso de mudanças. Ter esse panorama permite que o empresário decida com segurança o que deve ser desenvolvido internamente e o que pode ser adquirido como um serviço de mercado, evitando a dependência excessiva de soluções fechadas.

O terceiro ponto é a elaboração de um plano de contingência, ou plano B. Como fornecedores de tecnologia podem alterar preços, funcionalidades ou descontinuar serviços sem aviso prévio, é vital que as empresas tenham estratégias de recuperação rápida. Projeções indicam que muitos projetos de IA agêntica podem enfrentar cancelamentos nos próximos anos devido a custos elevados ou riscos mal gerenciados, tornando a preparação para falhas um diferencial competitivo.

Além da gestão de tecnologia, o mercado oferece caminhos para quem deseja iniciar uma carreira técnica formal. Instituições como o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus Santos, abrem periodicamente vagas para cursos técnicos gratuitos de informática, abrangendo áreas como desenvolvimento de sistemas, bancos de dados e segurança da informação. Essas formações são destinadas a estudantes do ensino médio ou pessoas que já concluíram essa etapa, oferecendo uma base sólida para quem busca atuar diretamente na criação de soluções digitais.

Em última análise, o empresário não precisa dominar a sintaxe de linguagens de programação para utilizar a tecnologia a favor do seu negócio. O sucesso depende da capacidade de questionar, auditar e cobrar resultados eficientes de seus parceiros tecnológicos. Ao dominar a governança de dados e a leitura de arquitetura de sistemas, o gestor deixa de ser um espectador das decisões de terceiros e assume o controle estratégico de sua operação.

Fontes consultadas

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