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Política

Aprovação de Keiko Fujimori desaba no Peru em meio a crise e medidas rígidas

A popularidade da presidente peruana caiu para 28,3% em outubro, impulsionada por crescentes preocupações econômicas, aumento da criminalidade e novas regras escolares.

Por 3 min de leitura

Aprovação de Keiko Fujimori desaba no Peru em meio a crise e medidas rígidas
Aprovação de Keiko Fujimori desaba no Peru em meio a crise e medidas rígidas

A taxa de aprovação da presidente do Peru, Keiko Fujimori, despencou para 28,3% no início de outubro, registrando uma queda de 14,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior, conforme apontou uma pesquisa da AtlasIntel divulgada recentemente. O levantamento também revelou que a desaprovação subiu para 53,6%, refletindo a erosão das expectativas em torno de seu governo após assumir o cargo no final de julho.

Os dados indicam que o pessimismo dos peruanos está fortemente atrelado à economia e à segurança pública. Cerca de 62% dos entrevistados consideram a situação econômica atual ruim, enquanto 64% apontam um mercado de trabalho fraco. Além disso, as projeções econômicas sofrem com o impacto iminente do fenômeno climático El Niño, que levou o banco central a reduzir a previsão de crescimento para 2026 para 3,2% e manteve a inflação acima da meta oficial.

No campo da segurança, 42% dos cidadãos enxergam a criminalidade como um dos principais problemas do país. Para tentar conter a onda de violência, Fujimori adotou um discurso mais rígido e anunciou um comando unificado entre a polícia e as forças armadas para combater o crime organizado e expulsar estrangeiros envolvidos em delitos.

A resposta do governo na área educacional também gerou intensos debates públicos após um caso de agressão sexual em uma escola gerida pela Marinha. Inspirando-se no modelo do presidente salvadorenho Nayib Bukele, o governo peruano anunciou um código restritivo de vestimenta e aparência para as escolas públicas, proibindo maquiagem, unhas pintadas, cabelos longos ou tingidos para os estudantes, além de definir o comprimento das saias e restringir o uso de celulares.

A medida escolar provocou reações contrárias de opositores, organizações feministas e defensores dos direitos humanos, que classificaram as regras como autoritárias e questionaram sua eficácia. A senadora Ruth Luque criticou o foco na aparência dos alunos em detrimento de políticas de proteção mais amplas, enquanto o governo defende que a disciplina é necessária para combater o bullying e a violência nos colégios.

Complementando as mudanças na educação, a administração de Fujimori informou que o Ministério da Educação iniciou uma revisão nos livros didáticos para excluir conteúdos considerados ideológicos, com previsão de aplicação nos materiais a partir de 2027. O governo busca garantir que as disciplinas, especialmente a história do Peru, apresentem informações estritamente objetivas.

No âmbito internacional, o alinhamento do governo peruano com os Estados Unidos por meio da adesão ao Escudo das Américas gerou desconfiança. Cerca de metade da população avalia negativamente a aproximação com as políticas de segurança norte-americanas, e um terço dos entrevistados acredita que tal postura limita a autonomia do país no combate ao crime organizado.

Fontes consultadas

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