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Esportes

Cade questiona contrato da FFU e apura relação com a Cazé TV

Autarquia quer explicações sobre acordo de 50 anos e conexões comerciais entre investidores e a plataforma de transmissão.

Por 3 min de leitura

Cade questiona contrato da FFU e apura relação com a Cazé TV
Cade questiona contrato da FFU e apura relação com a Cazé TV

A disputa comercial nos bastidores para a formação de uma liga única no futebol brasileiro ganhou um novo capítulo com a atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A autarquia federal emitiu recentemente uma nota técnica estipulando um prazo de dez dias para que a liga Futebol Forte União e seu principal investidor, a Sports Media Entertainment, prestem esclarecimentos sobre o compromisso de cessão de direitos de transmissão firmado por 50 anos com os clubes.

O órgão antitruste analisa o ato de concentração relacionado ao modelo de comercialização coletiva e busca verificar se o longo prazo do contrato e as condições de adesão e saída podem ferir as regras de livre concorrência. Na avaliação preliminar, a autarquia apontou que restrições dessa natureza podem resultar em preços mais elevados para os torcedores que acompanham as partidas por meios remotos, exigindo um exame mais detalhado dos efeitos desses acordos no mercado.

Um dos pontos que despertou a atenção do conselho é a relação comercial e vertical entre a empresa investidora e a LiveMode. Segundo o apontamento do órgão regulador, a LiveMode atua comercialmente na negociação de direitos do bloco e, ao mesmo tempo, controla a Cazé TV, empresa que já adquiriu pacotes de transmissão para o ciclo de 2025 a 2029 e figura como compradora potencial de direitos de competições futuras, incluindo as séries A e B do Campeonato Brasileiro.

A estrutura dessa ligação societária e comercial precisa ser esclarecida de forma definitiva para que os impactos concorrenciais sejam devidamente avaliados pelas autoridades. Enquanto isso, a empresa investidora considerou positiva aprofundar a análise econômica para demonstrar os resultados benéficos do modelo adotado, destacando que a receita média com direitos de transmissão dos clubes do bloco apresentou crescimento significativo recentemente.

Por sua vez, a Sports Media Entertainment defende a legalidade da estrutura e já se posicionou contrária a demandas de clubes insatisfeitos que solicitaram a recompra individual de direitos, sob o argumento de que tal medida afetaria a integridade do projeto coletivo. A controvérsia interna no bloco reflete divisões profundas e serve de aposta para setores descontentes e para a própria Confederação Brasileira de Futebol na tentativa de retomar o controle das negociações visando à criação de uma liga unificada.

Em manifestação oficial sobre a nota técnica, a empresa gestora declarou ver com bons olhos o escrutínio regulatório para comprovar as eficiências do modelo econômico implementado. O debate jurídico e institucional segue mobilizando os bastidores do esporte nacional, enquanto os órgãos competentes continuam avaliando os desdobramentos contratuais e as implicações para o mercado audiovisual esportivo.

Fontes consultadas

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