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Política

Campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa de inteligência artificial

Documentos revelam repasses à Elytron Cybersecurity, acusada de oferecer serviços de manipulação eleitoral e guerra psicológica.

Por 3 min de leitura

Campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa de inteligência artificial
Campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa de inteligência artificial

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) realizou pagamentos que somam R$ 600 mil à empresa Elytron Cybersecurity, conforme revelado por documentos obtidos pelo The Intercept Brasil. Os valores, registrados no sistema da Justiça Eleitoral, foram efetuados entre setembro e outubro e descritos oficialmente como consultoria em tecnologia da informação. Além dos repasses da campanha, o Partido Liberal (PL) declarou ter desembolsado outros R$ 131,9 mil à mesma companhia.

Os registros indicam que o montante de R$ 600 mil foi composto por três notas fiscais, sendo que uma delas, no valor de R$ 500 mil, chegou a ser cancelada. O total declarado pela campanha presidencial à empresa atingiu a marca de R$ 1 milhão. A Elytron Cybersecurity, sediada em São Paulo e com atuação internacional, é apontada em denúncias como fornecedora de um sistema de inteligência artificial capaz de mapear grupos de eleitores e executar operações de influência.

Segundo as informações divulgadas, o software oferecido pela empresa teria a capacidade de realizar ações como a criação de contas falsas em redes sociais, a disseminação de boatos e a aplicação de técnicas de guerra psicológica. A consultora de segurança digital Beatriz Farrugia, ao analisar o plano de operações da empresa, classificou a estratégia como uma manobra de influência completa. Documentos sugerem que a tecnologia também foi apresentada a aliados da campanha de reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

O esquema veio à tona após o consultor americano Vincent Edward Reed, que trabalhava com a Elytron, romper com a organização e denunciar as práticas ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA. Reed afirmou considerar o sistema uma violação ética e legal grave, destacando o potencial da ferramenta para a criação de deepfakes voltadas a manipular o eleitorado.

Em resposta às acusações, a campanha de Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade, afirmando em nota que não contrata serviços que violem a legislação eleitoral e classificando as denúncias como uma tentativa de perseguição política. Por outro lado, executivos da Elytron no exterior refutaram as alegações de que a empresa ofereça serviços de manipulação política ou produção de deepfakes, negando também a existência de reuniões com a equipe de Trump.

O caso ganha contornos adicionais devido às conexões da rede da Elytron com executivos ligados a uma empresa de inteligência artificial dos Emirados Árabes Unidos e ao xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional daquele país. Além disso, há relatos de proximidade entre dirigentes da companhia e o entorno de Pablo Marçal, que integra a campanha de Flávio Bolsonaro.

O episódio ocorre em um momento de intenso debate sobre o uso de inteligência artificial no pleito brasileiro. Recentemente, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando que a ferramenta Meta AI apresentava viés político ao recusar solicitações de imagens com referências ao petista, enquanto atendia pedidos relacionados ao senador Flávio Bolsonaro. Em resposta, a Meta informou ter proibido temporariamente a recomendação de candidatos e corrigido falhas em seu sistema, em conformidade com a resolução 23.755/2026 do TSE.

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