Câncer de mama atinge recorde de mortes no Vale do Paraíba
Região contabilizou 330 óbitos pela doença em 2025, o maior índice registrado pelas autoridades de saúde nos últimos trinta anos.
As cidades do Vale do Paraíba registraram 330 mortes por câncer de mama no ano de 2025, representando um salto superior a 20% na comparação com o período anterior e alcançando o maior índice de óbitos pela enfermidade na região nos últimos trinta anos. Os dados fazem parte de um levantamento realizado com informações do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade, evidenciando um cenário preocupante para a saúde pública local.
Desde o início da série histórica, em 1996, os trinta e nove municípios que compõem o Vale do Paraíba e o Litoral Norte já acumulam 5.440 mortes decorrentes da doença. O histórico recente aponta oscilações e uma trajetória de alta, passando de 240 óbitos em 2020 para 288 em 2022, com nova queda pontual em 2023, antes de retomar o crescimento até o recorde histórico estabelecido em 2025.
A alta nos registros contrasta com as estimativas oficiais sobre o potencial terapêutico da enfermidade. Embora seja o tipo de câncer que mais acomete e mata mulheres globalmente, o Ministério da Saúde aponta que as chances de cura podem chegar a aproximadamente 95% quando ocorre a detecção precoce. Na prática, contudo, mais de metade dos diagnósticos no país ainda acontecem nos estágios 3 ou 4, considerados avançados.
Especialistas alertam que a espera pelo surgimento de sintomas visíveis diminui consideravelmente a eficácia dos tratamentos. Segundo Flávio Salgado, cirurgião oncológico no Hospital Regional de Taubaté, o ideal é identificar o tumor em dimensões inferiores a um centímetro em pacientes assintomáticas. O médico também reforça que a ausência de casos na família não deve servir de justificativa para evitar os exames preventivos, visto que a grande maioria das pacientes tratadas não possui histórico genético relevante.
Para combater o avanço dos diagnósticos tardios, autoridades sanitárias recomendam a realização anual da mamografia para mulheres a partir dos 40 anos, direito assegurado pela rede pública de saúde. O acompanhamento médico imediato também é indicado caso sejam percebidos sinais como nódulos, retração na pele, alterações no formato dos seios ou inversão dos mamilos.
Em paralelo aos desafios na área da saúde, a região também se destaca em iniciativas voltadas para a educação e o desenvolvimento tecnológico. Entre os dias 20 e 22 de outubro, São José dos Campos sediará a edição de 2026 do evento Girls Day, promovido pela Dassault Systèmes em parceria com o negócio de impacto social Força Meninas. A iniciativa busca aproximar mais de setenta estudantes de onze a dezessete anos das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
O programa visa combater a falta de referências femininas no setor tecnológico, amparado por pesquisas que apontam que a maioria das jovens nessa faixa etária não conhece mulheres que atuem no segmento STEM. Durante as atividades, as participantes terão contato com tecnologias de simulação e desafios práticos voltados à resolução de problemas urbanos e sociais da região.
Enquanto a sociedade busca soluções para o futuro tecnológico através de projetos educacionais, o suporte aos pacientes oncológicos na região também conta com o apoio de entidades como a Casa Gesto. Fundada em 1997 em Taubaté, a instituição sem fins lucrativos oferece assistência psicológica e social gratuita a dezenas de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde diariamente.