Ciência debate o uso seguro de plantas medicinais e terapias naturais
Especialistas alertam para riscos do consumo sem orientação e destacam a importância de unir o conhecimento popular à pesquisa científica.
Pesquisadores, produtores e representantes da comunidade se reuniram recentemente em Campo Grande durante o 23º Workshop de Plantas Medicinais para debater a segurança no consumo, o cultivo dessas espécies e o desenvolvimento de fitoterápicos. O encontro destacou a necessidade de associar o conhecimento tradicional a informações científicas rigorosas para garantir o uso correto por parte da população.
Segundo especialistas da área, embora muitas pessoas acreditem que produtos naturais sejam inofensivos, as plantas podem interagir com alimentos, medicamentos e outras espécies. A etnobotânica Arlene Rocha ressalta que a identificação correta das espécies é fundamental, uma vez que diversas plantas possuem características físicas e aromáticas semelhantes.
Especialistas também alertam sobre os perigos do consumo sem acompanhamento profissional. A professora Silvia Cristina Heredia Vieira exemplifica que o inhame não deve ser consumido cru devido à presença de substâncias irritantes que exigem cozimento, enquanto a babosa, frequentemente utilizada em sucos caseiros, possui compostos chamados antracnonas e deve ter uso estritamente tópico como cicatrizante.
Como parte das iniciativas de integração entre ciência e saúde pública, o Ministério da Saúde e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul desenvolvem um projeto para implantar o programa Farmácia Viva no estado. A iniciativa vinculada ao Sistema Único de Saúde abrange desde o cultivo e a coleta até a dispensação de fitoterápicos à população.
Além do impacto na saúde, o incentivo ao cultivo de plantas medicinais por agricultores familiares é visto como uma alternativa relevante para gerar renda no campo e garantir matéria-prima para o desenvolvimento de pesquisas científicas e novos produtos terapêuticos.
Em paralelo ao debate sobre as plantas medicinais, estudos nas áreas de geriatria e gerontologia apontam que práticas integrativas e ocupacionais, como a jardinagem, também auxiliam no bem-estar de idosos. Pesquisas indicam que a atividade regular contribui para a redução dos níveis de cortisol, melhora a qualidade do sono e abranda sintomas de ansiedade e estresse.
Outras alternativas naturais estudadas para a melhoria do descanso e combate ao estresse incluem suplementos como a melatonina e o magnésio. No entanto, médicos e pesquisadores enfatizam que transtornos crônicos do sono exigem avaliação médica adequada, pois o uso de produtos sem supervisão pode mascarar problemas subjacentes graves.
Fontes consultadas
- Remédio caseiro faz mal? Ciência alerta para riscos de plantas | G1 g1.globo.com
- Magnésio ou melatonina para dormir? Entenda os efeitos e as diferenças entre os dois oglobo.globo.com
- Abraço, respiração e mais: 7 formas naturais de reduzir o estresse, segundo a ciência gq.globo.com
- Jardinagem na primavera: como cuidar de plantas virou terapia para idosos contra estresse e insônia - Super Rádio Tupi tupi.fm
- Novo remédio sem hormônio para fogacho melhora o sono na menopausa uol.com.br