Coordenadora do DER-MG é presa suspeita de favorecer loteadora em Uberlândia
Ação conjunta do Ministério Público e da Polícia Militar cumpriu mandado de prisão preventiva e busca e apreensão contra a servidora pública nesta quinta-feira.
Uma coordenadora regional do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) foi presa preventiva a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em uma operação realizada nesta quinta-feira (15) em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A ação, conduzida em parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), investiga a servidora pelos crimes de corrupção, falsidade ideológica, sonegação de documento e advocacia administrativa.
A ofensiva, coordenada pela 3ª Promotoria de Justiça de Uberlândia — unidade especializada na defesa do consumidor —, incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência da investigada. Na ocasião, os agentes também recolheram o computador funcional utilizado por ela nas dependências do órgão público.
O caso teve início com a implantação de um empreendimento imobiliário na cidade. Como o grupo empresarial responsável não construiu um trevo na rodovia LMG-503 dentro do prazo estabelecido, o município ajuizou uma ação judicial para forçar o cumprimento da obrigação viária exigida.
De acordo com as investigações do MPMG, em outubro de 2023, a servidora emitiu um ofício que conferia aparência de regularidade a um projeto alternativo de acesso à rodovia. A proposta, contudo, ainda não havia recebido a aprovação oficial do DER-MG.
No dia seguinte à assinatura do documento, a empresa apresentou o material em uma audiência judicial para embasar um acordo que modificou a exigência viária original. As apurações apontam que a irregularidade foi descoberta durante a análise de um inquérito civil instaurado para apurar o caso.
A investigação ganhou novos contornos quando o Ministério Público requisitou a integralidade dos processos administrativos ao DER-MG em junho de 2026, recebendo apenas uma fração dos documentos. O MPMG constatou que a remessa parcial foi ordenada pela própria investigada, o que resultou na abertura de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC).
Além das fraudes documentais, o levantamento financeiro apontou que, em 2024, a servidora adquiriu um imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão localizado em um condomínio pertencente ao mesmo grupo empresarial. Parte do montante foi quitada por empresas ligadas ao grupo, com a emissão de recibos destinados a simular a quitação dos pagamentos.
Para fundamentar a decretação da prisão preventiva, o Juízo das Garantias da Comarca de Uberlândia destacou a necessidade de interromper os pagamentos e assegurar a integridade das provas. A Justiça ordenou o congelamento de contas e a preservação de e-mails e arquivos institucionais ligados ao caso.