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Saúde

Crescimento de diagnósticos de câncer em menores de 50 anos desafia especialistas

Estudos internacionais apontam alta expressiva no número de novos casos de tumores em adultos jovens nas últimas duas décadas, com destaque para o câncer colorretal.

Por 3 min de leitura

Crescimento de diagnósticos de câncer em menores de 50 anos desafia especialistas
Crescimento de diagnósticos de câncer em menores de 50 anos desafia especialistas

O número de diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos tem registrado um avanço expressivo em todo o mundo nas últimas duas décadas, conforme apontam dados divulgados por entidades internacionais de pesquisa. Um dos casos mais emblemáticos é o do câncer colorretal, ou de intestino, cuja taxa de incidência dobrou em países como a Inglaterra entre 2001 e 2023, passando de aproximadamente um caso a cada 26 mil pessoas para um a cada 12 mil na população abaixo de meio século de vida.

O levantamento faz parte de análises conduzidas pelo Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer e por pesquisadores que examinaram registros de dezenas de países. Além da Inglaterra, o crescimento de diagnósticos precoces foi documentado nos Estados Unidos, na Holanda e em nações da América Latina, como Chile, Argentina, Equador, Costa Rica e Porto Rico. O Chile apresentou um dos aumentos mais acentuados para o câncer colorretal de início precoce, com taxa próxima a 4% ao ano até 2017.

No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional do Câncer apontam centenas de milhares de novos casos previstos para o próximo triênio, com destaque para tumores colorretais e de colo do útero, ambos com forte potencial de prevenção e detecção precoce. Pesquisadores avaliam que mudanças no estilo de vida e nos padrões alimentares na região, marcadas pelo sedentarismo e pelo consumo elevado de produtos ultraprocessados, figuram entre os fatores investigados para explicar o fenômeno.

Apesar da alta percentual observada, especialistas ponderam que a doença continua sendo estatisticamente rara entre adultos jovens. Especialistas em epidemiologia clínica ressaltam que o aumento nos números deve ser interpretado com cautela, pois o volume absoluto de ocorrências nessa faixa etária ainda permanece baixo. Além disso, discute-se o peso do avanço tecnológico e da maior conscientização da população, que geram mais exames e elevam a detecção de tumores em estágios iniciais, mantendo as taxas de mortalidade estáveis em alguns casos.

Contudo, o avanço notado em tumores colorretais em estágios mais avançados em algumas regiões sugere que pode haver um crescimento real na incidência da enfermidade, e não apenas um reflexo do aumento na testagem. Entre os fatores de risco consolidados pela Organização Mundial da Saúde e por agências de pesquisa estão a obesidade — condição que duplicou entre adultos e quadruplicou entre adolescentes desde os anos 1990 — o consumo de carnes processadas e a ingestão de álcool, enquanto dietas ricas em fibras exercem papel protetor.

Diante do cenário, membros da comunidade científica enfatizam a importância de políticas públicas voltadas à promoção de hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas e o acesso a uma alimentação equilibrada, evitando a culpabilização individual dos cidadãos por um contexto social urbanizado e sedentário. Recomenda-se que os jovens mantenham atenção aos sinais do corpo e realizem acompanhamento médico regular para mitigar os riscos e assegurar diagnósticos oportunos.

Fontes consultadas

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