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Clima

Crise climática e El Niño atípico alteram padrões globais de seca e chuva

Fenômeno precoce e aquecimento global desafiam modelos de previsão científica e afetam a agricultura.

Por 3 min de leitura

Crise climática e El Niño atípico alteram padrões globais de seca e chuva
Crise climática e El Niño atípico alteram padrões globais de seca e chuva

A combinação entre o aquecimento global e um fenômeno El Niño com comportamento inédito e precoce tem desafiado cientistas e alterado padrões climáticos em diversas regiões do planeta. O atual evento oceanográfico, caracterizado como um El Niño costeiro e forte, desenvolveu-se mais cedo do que o habitual e avança em ritmo recorde, gerando incertezas sobre a intensidade e a localização exata de seus impactos em termos de secas, tempestades e ondas de calor.

Segundo especialistas, a imprevisibilidade deste ciclo decorre da interação complexa entre a posição da colossal piscina de água quente no Pacífico Equatorial e os jatos atmosféricos, conhecidos como rios voadores. Regina Rodrigues, professora de Oceanografia e Clima da Universidade Federal de Santa Catarina e autora de boletim da Organização Mundial de Meteorologia, aponta que o local onde a temperatura da água supera os 29ºC influencia diretamente as regiões afetadas, podendo provocar efeitos distintos ou até inversos aos observados em eventos históricos anteriores.

Os reflexos dessa dinâmica climática já causam prejuízos severos em diferentes partes do mundo. Na América Central, o chamado Corredor Seco — que abrange países como Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua — registra a perda de safras por pequenos agricultores, forçando populações ao racionamento de alimentos e à venda de gado. Estimativas do Programa Mundial de Alimentos da ONU indicam que até 16 milhões de pessoas na América Latina podem enfrentar escassez de alimentos devido à severidade da seca.

A escassez hídrica também afeta a infraestrutura comercial internacional. A redução na vazão dos rios tem provocado a desaceleração do tráfego de embarcações no Canal do Panamá, que depende de água doce para o funcionamento de suas eclusas. No Caribe, uma seca de proporções históricas impõe o racionamento de água potável em territórios como Porto Rico e Jamaica, enquanto a Indonésia lida com o início precoce de incêndios florestais impulsionados pelas altas temperaturas.

Na América do Sul, os impactos do fenômeno manifestam-se de maneira intensa, com chuvas fortes e episódios severos que já provocaram inundações em países andinos como Chile e Peru, interrompendo atividades de mineração de cobre e restringindo o acesso a pontos turísticos como Machu Picchu. Pesquisadores reforçam que a interação entre o El Niño e as mudanças climáticas em curso modifica as chamadas teleconexões, alterando de forma drástica os padrões meteorológicos tradicionais e exigindo maior capacidade de adaptação dos governos e da sociedade diante de extremos climáticos cada vez mais frequentes.

Fontes consultadas

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