Crise no TSE após decisão de Zanin sobre prorrogação da votação
Medida do Supremo Tribunal Federal gerou revolta entre ministros do tribunal eleitoral e incertezas no segundo turno.
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o tempo de votação gerou forte revolta entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a apuração do segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25). A ordem de estender o horário foi emitida após um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em meio à inércia do presidente da Corte Eleitoral, Kassio Nunes Marques, que havia sinalizado que não faria intervenções na votação.
Segundo relatos de ministros do TSE, o clima na sede do tribunal foi de apreensão diante do risco de contestação dos resultados nas urnas e de possíveis desdobramentos judiciais. Um dos magistrados criticou duramente a medida, afirmando que ela foi tomada sem considerar o funcionamento prático das urnas eletrônicas. Outro integrante do tribunal apontou o temor generalizado de que o lado perdedor questione o resultado, abrindo caminho para um novo conflito nos tribunais.
A divergência entre as instâncias evidenciou o racha entre as alas lulista e bolsonarista que atuam no STF e no TSE. Enquanto Nunes Marques e o vice-presidente da Corte Eleitoral, André Mendonça, são apontados como expoentes da ala bolsonarista, Zanin integra o grupo ligado ao governo no Supremo, ao lado de ministros como Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes.
O impasse começou após a omissão da Corte Eleitoral diante de denúncias e problemas relatados pelas campanhas. A campanha de Lula apontou dificuldades relacionadas ao transporte público em diferentes cidades, enquanto o Partido Liberal (PL) mencionou transtornos provocados por condições climáticas desfavoráveis em estados de Minas Gerais, São Paulo e na região Sul do país.
Diante da inércia de Kassio Nunes Marques, que preferiu não decidir sobre a extensão do horário que inicialmente terminaria às 17h, o PT recorreu diretamente ao STF. A decisão de Zanin foi assinada poucos minutos antes do encerramento oficial da votação, provocando confusão em seções eleitorais de todo o território nacional.
Muitas seções já haviam encerrado os trabalhos e desligado os equipamentos quando receberam a comunicação da nova regra. Para conter a crise, Zanin publicou um segundo despacho esclarecendo que a medida deveria se restringir estritamente aos locais onde as urnas ainda não haviam sido fechadas, mantendo a contagem normal nos demais pontos.
Paralelamente ao embate jurídico, parlamentares manifestaram-se sobre o cenário eleitoral. Deputados estaduais do PT, como Guilherme Cortez e Jones Manoel, acusaram o bolsonarismo de tentar tumultuar o processo com estratégias que incluiriam o boicote ao transporte público para dificultar o acesso dos eleitores, avaliando as dificuldades como parte de um roteiro de contestação política.