Cúpula do PL relata surpresa e desconhecimento sobre fuga de Flávio Bolsonaro
Integrantes do núcleo duro do partido e aliados afirmam ter sabido da viagem aos Estados Unidos apenas por meio da imprensa.
Integrantes da cúpula da campanha e parlamentares do Partido Liberal (PL) relataram surpresa e afirmaram não ter sido avisados sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil, ocorrida após a derrota nas eleições presidenciais. A partida do parlamentar para os Estados Unidos gerou repercussão imediata e críticas internas na legenda, além de ampla cobertura da imprensa internacional.
O senador Rogério Marinho, coordenador político da campanha, relatou a auxiliares que tentou contato com Flávio por aplicativo de mensagens para verificar se estava tudo bem, obtendo como resposta que o colega estaria apenas esfriando a cabeça, antes de o contato ser interrompido. Advogados do político também sustentam que a viagem ocorreu à revelia da equipe jurídica, pegando todos de surpresa após reuniões em que ele havia garantido presença em compromissos futuros.
Enquanto fontes ligadas à família indicam que o governo dos Estados Unidos estaria ciente e poderia conceder asilo ou vistos ao senador, veículos de imprensa de diversos países passaram a detalhar o caso. Jornais como The New York Times, The Washington Post, The Guardian, El País e La Nación destacaram tanto a saída do país quanto o temor de uma possível prisão iminente.
A divergência sobre o trajeto e o paradeiro exato também marcou as primeiras horas após o sumiço. Enquanto a agência Reuters e o jornal argentino Infobae apontaram uma saída terrestre pela fronteira com Puerto Iguazú antes de embarcar rumo aos Estados Unidos, outras fontes próximas ao clã negaram a passagem pela Argentina.
No âmbito interno, aliados destacaram que a legenda e a oposição no Congresso ficam desarticuladas sem uma liderança firme para organizar as estratégias no Senado, casa onde parlamentares conservadores buscavam influenciar na sucessão da mesa diretora. Parte da bancada comparou o movimento ao isolamento e à posterior viagem do ex-presidente Jair Bolsonaro após o pleito de 2022.
A viagem do senador acontece no contexto de investigações criminais sobre suposta lavagem de dinheiro e outros crimes, investigações nas quais ele perderá o foro privilegiado a partir de fevereiro, quando se encerra seu mandato no Senado Federal. Até o momento, o paradeiro exato nos Estados Unidos permanece incerto, gerando apreensão entre aliados e especulações sobre os desdobramentos políticos e diplomáticos.