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Política

Cúpula do PL teme novas declarações de Flávio Bolsonaro nos EUA

Dirigentes do partido tentam convencer o senador a abandonar o discurso de fraude eleitoral para evitar maiores desgastes políticos.

Por 3 min de leitura

Cúpula do PL teme novas declarações de Flávio Bolsonaro nos EUA
Cúpula do PL teme novas declarações de Flávio Bolsonaro nos EUA

A cúpula do Partido Liberal busca convencer o senador Flávio Bolsonaro a abandonar o discurso de fraude na eleição presidencial e manifesta temor de que novas declarações do parlamentar, que está nos Estados Unidos, aprofundem o desgaste da legenda após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva. A preocupação da direção partidária intensificou-se após a divulgação de uma carta na qual o senador questionou, sem apresentar provas, o resultado das urnas e chegou a se autoproclamar o verdadeiro presidente eleito do país.

O documento gerou desconforto interno e não recebeu o aval da direção da sigla. O receio no comando do partido aumentou diante da previsão de que Flávio conceda uma entrevista coletiva em solo norte-americano, na qual poderá voltar a tratar da disputa eleitoral e de sua permanência no exterior. Integrantes do PL avaliam que insistir em acusações sem evidências pode comprometer os esforços de reorganização da oposição e dificultar a construção de alianças no Congresso Nacional.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou publicamente a manifestação do senador após se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. Segundo o dirigente, a carta não foi aprovada pelo partido e a viagem surpreendeu tanto a direção da legenda quanto a própria família Bolsonaro. Valdemar afirmou que o objetivo atual é tocar o país e a sigla para a frente, compreendendo a situação difícil passada por Flávio, mas sem endossar o teor do documento.

Na mesma linha, o senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial, distanciou-se das acusações e declarou que a legenda não pode afirmar a ocorrência de fraude por falta de elementos comprobatórios. Marinho também relatou não ter sido consultado sobre o conteúdo da carta, embora procure preservar o protagonismo político do colega dentro do campo conservador.

A repercussão negativa da carta e a saída do senador do Brasil também abriram espaço para movimentações políticas de olho em 2030, beneficiando aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Interlocutores avaliam que o enfraquecimento político de Flávio pode favorecer a reorganização da direita em torno do nome de Tarcísio, embora a ala mais fiel à família Bolsonaro ainda manifeste resistência a novas lideranças.

Enquanto a oposição lida com as divisões internas, partidos de esquerda reagiram de forma conjunta e repudiaram a contestação do resultado das urnas, defendendo a legalidade do processo eleitoral atestada pela Justiça Eleitoral. No âmbito governista, a orientação é para que o presidente Lula evite entrar diretamente na controvérsia gerada pelas declarações do senador no exterior.

No cenário legislativo, o PL tenta preservar sua unidade e evitar que a crise contamine as articulações para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Partidos do centrão já discutem o comando das Casas para os próximos dois anos, enquanto parlamentares bolsonaristas buscam definir os próximos passos de sua estratégia política e parlamentar.

Fontes consultadas

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