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Brasil

Desafio do iPhone em Piracicaba deixa participantes 52 horas em pé e vira caso de polícia

Iniciativa promocional realizada no interior paulista não tinha autorização federal, impôs restrições extremas de sono e banheiro, e mobilizou o Samu e autoridades de segurança.

Por 3 min de leitura

Desafio do iPhone em Piracicaba deixa participantes 52 horas em pé e vira caso de polícia
Desafio do iPhone em Piracicaba deixa participantes 52 horas em pé e vira caso de polícia

Uma competição de resistência física realizada em Piracicaba, no interior de São Paulo, transformou-se em alvo de investigações policiais e administrativas após manter participantes em pé por 52 horas consecutivas ao redor de uma caminhonete. Organizado por dois estabelecimentos comerciais locais como estratégia de divulgação nas redes sociais, o chamado "Desafio do iPhone" exigia que os concorrentes mantivessem as mãos apoiadas na lataria de um veículo, sem permissão para dormir ou retirar os membros do local.

A disputa reuniu cerca de 30 pessoas e oferecia um aparelho celular como prêmio principal para o último concorrente remanescente. No entanto, as condições impostas aos participantes geraram forte repercussão e preocupação. A alimentação e a hidratação foram controladas pela organização, enquanto o acesso ao banheiro foi severamente restrito a uma única oportunidade durante todo o período da prova, limitada a três minutos e decidida por votação.

O encerramento da maratona ocorreu após duas dias e meio com o atendimento de um dos competidores pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O vendedor Nilson Sousa, de 25 anos, precisou de atendimento médico e foi encaminhado a uma unidade de saúde para receber soro e hidratação após atingir seu limite físico e conquistar o segundo lugar na disputa. A vitória final ficou com uma influenciadora local.

Diante das condições relatadas, o caso mobilizou órgãos estaduais e federais. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o ocorrido, registrando a ocorrência como perigo para a vida ou saúde de outrem e destacando a participação de um adolescente de 17 anos na dinâmica.

Em paralelo, a Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, abriu uma investigação para averiguar a legalidade do evento. De acordo com o órgão federal, promoções comerciais que distribuem prêmios exigem autorização prévia e o cumprimento de diretrizes rígidas de segurança, como limites de duração e a presença fixa de equipes médicas ou do Corpo de Bombeiros, requisitos que não foram cumpridos pelos organizadores.

A prefeitura municipal esclareceu que o estabelecimento possuía apenas um alvará para funcionamento comercial e uma autorização autodeclaratória para evento de baixo risco em um único dia, sem aval para a realização da prova de longa duração. Representantes da organização declararam que permanecem à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários sobre a competição.

Apesar da exaustão e das críticas generalizadas nas redes sociais, alguns participantes relataram que a visibilidade gerada pelo reality show improvisado abriu portas para doações e apoio financeiro. Concorrentes afirmam que buscavam recursos para superar dificuldades econômicas, consertar veículos de trabalho ou viabilizar projetos pessoais, como a abertura de novos negócios.

Fontes consultadas

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