Enchente relâmpago destrói casas e deixa desaparecidos no Nepal
Transbordamento de rio no centro do país destruiu dezenas de moradias e pontes, provocando buscas por desaparecidos.
Uma enchente relâmpago atingiu o rio Budhi Gandaki, na região central do Nepal, na manhã de domingo, destruindo dezenas de residências, pontes e estradas, além de danificar ao menos uma usina hidrelétrica. O incidente ocorreu na província de Gorkha e mobilizou equipes militares em operações de busca e salvamento.
Enquanto a polícia local informou inicialmente que não havia registros oficiais de mortes ou desaparecidos, autoridades administrativas e a imprensa local confirmaram posteriormente que pelo menos cinco pessoas estão desaparecidas. O Exército nepalês relatou o resgate de mais de 40 pessoas na área afetada, e o primeiro-ministro Balendra Shah afirmou que várias famílias foram retiradas da zona de perigo por meio de helicópteros.
A origem do transbordamento divide versões preliminares entre as fontes. De acordo com a polícia, o fenômeno foi desencadeado por um deslizamento de terra a montante que causou a elevação repentina do nível da água. Por outro lado, investigações apontam que um desprendimento de gelo ou terra pode ter bloqueado temporariamente um afluente em Tumje, gerando uma represa natural cujo rompimento liberou uma grande massa de lama.
Especialistas do Departamento de Hidrología e Meteorología descartaram chuvas na cabeceira do rio como causa do evento. Registros indicam ausência de precipitações na região no momento do desastre, reforçando a hipótese de bloqueio e liberação abrupta de detritos.
Moradores da região relataram ter ouvido um forte estrondo durante a madrugada antes de buscarem refúgio em áreas mais altas. Vídeos divulgados nas redes sociais e por agências de notícias mostraram a força da correnteza barrenta carregando construções e pontes inteiras na zona rural de Chumanubri.
Diante do risco de novos colapsos e inundações, a agência nacional de desastres emitiu alertas vermelhos e o governo enviou cerca de 200 mil mensagens de texto (SMS) para orientar a evacuação imediata de moradores que vivem rio abaixo.
O episódio ocorre cerca de um mês após desastres semelhantes no final de agosto na mesma região do país e no Tibete. As inundações anteriores provocaram destruição em grande escala, com divergência entre registros oficiais sobre o número exato de vítimas: enquanto algumas fontes apontam cerca de 1.450 mortos e mais de 4.500 desaparecidos, outras estimam 1.455 mortes e mais de 5.200 desaparecidos.