Enchentes na Espanha deixam mortos e confinam 800 mil pessoas
Tempestades severas provocam chuvas torrenciais, alagamentos e suspensão de aulas nas províncias de Valência e Alicante.
As fortes tempestades que atingem o leste da Espanha provocaram a morte de três pessoas e obrigaram mais de 800 mil moradores a permanecerem em suas residências. A tempestade gerou volumes expressivos de precipitação, transformando ruas em rios, arrastando veículos e deixando diversas áreas totalmente isoladas.
O governo espanhol, junto às autoridades locais, determinou o confinamento obrigatório em 145 municípios localizados no sul da província de Valência e no norte de Alicante. O objetivo da medida é facilitar o trabalho das equipes de resgate e impedir que motoristas fiquem presos em vias alagadas.
As vítimas fatais confirmadas até o momento são três mulheres atingidas pela força das águas em diferentes localidades da região afetada. Entre elas está uma idosa de 79 anos cujo corpo foi localizado na cidade de Oliva, em Valência. Outras ocorrências incluiram uma mulher arrastada por uma enxurrada e uma vítima que se afogou ao cair em um riacho.
Em alguns pontos do território atingido, o volume de chuva ultrapassou a marca de 700 litros por metro quadrado em um intervalo inferior a 48 horas. A agência meteorológica do país classificou as condições atuais como extremamente adversas, exigindo alerta vermelho e mobilização total dos serviços de emergência.
Para mitigar os danos e socorrer a população, mais de 15 helicópteros foram mobilizados para resgatar moradores isolados. Em municípios como Pego, no norte de Alicante, diversas pessoas precisaram aguardar o socorro abrigadas nos telhados de suas próprias casas devido ao rápido nível de subida da água.
O impacto na rotina da região leste foi amplo. Mais de 100 mil estudantes ficaram sem aulas na Comunidade Valenciana, com a suspensão de atividades também registrada na ilha de Mallorca. Além disso, linhas ferroviárias interromperam parte de seus serviços e pelo menos 22 estradas precisaram ser bloqueadas.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, pediu publicamente que a população evite qualquer deslocamento desnecessário e busque refúgio nos andares mais altos dos edifícios. Equipes do exército e socorristas continuam atuando de forma intensa em áreas de difícil acesso.
A nova catástrofe climática reacendeu o temor na Comunidade Valenciana, revivendo as memórias do forte temporal registrado dois anos antes, em 2024, que resultou na morte de mais de 230 pessoas na mesma região.