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Política

Entenda por que a apuração de votos no Nordeste costuma atrasar no TSE

Diferenças logísticas e transmissão desordenada explicam por que candidatos da direita costumam liderar o início da contagem.

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Entenda por que a apuração de votos no Nordeste costuma atrasar no TSE
Entenda por que a apuração de votos no Nordeste costuma atrasar no TSE

A dinâmica da apuração de votos no Brasil costuma gerar expectativas e variações expressivas nos placares parciais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Historicamente, candidatos posicionados à direita largam na frente no início da contagem, enquanto os nomes ligados à esquerda registram crescimento expressivo e eventuais viradas quando os votos do Norte e, sobretudo, do Nordeste entram no sistema do tribunal.

Segundo especialistas e cientistas políticos, o principal fator para essa assimetria é a transmissão desordenada dos dados de votação para o TSE. Estados e municípios do Sul e do Sudeste do país costumam ser os primeiros a entregar os boletins de urna ao órgão federal, beneficiados por uma infraestrutura mais favorável e menor distância física até as juntas apuradoras e cartórios eleitorais.

Em contrapartida, as seções eleitorais do Nordeste e do Norte enfrentam maiores desafios logísticos e digitais para transmitir as informações ao tribunal. Em algumas situações, urnas estão localizadas a dezenas de quilômetros dos locais de transmissão, exigindo trajetos de barco ou enfrentando trânsito e barreiras geográficas em regiões mais remotas.

A infraestrutura técnica do TSE divide o processo em três fases: a apuração com a emissão do Boletim de Urna, a transmissão da mídia física até o cartório eleitoral e a totalização nacional. O gargalo do processo ocorre estritamente na fase de transmissão, o que faz com que os dados das regiões Nordeste e Norte apareçam de forma mais robusta quando a contagem já está avançada.

Essa característica da apuração já provocou momentos marcantes em eleições presidenciais anteriores. Em 2014, o então candidato Aécio Neves (PSDB) liderou a maior parte da contagem inicial com ampla margem, até que a totalização dos votos da região Nordeste reverteu o placar a favor de Dilma Rousseff (PT). Dinâmica semelhante ocorreu em pleitos seguintes, como nas disputas de 2018 e 2022.

Especialistas apontam que a porcentagem de votos acumulada pelos candidatos nas primeiras horas de apuração não reflete o resultado final. A entrada gradual e concentrada de redutos eleitorais tradicionais altera substancialmente o panorama, tornando a apuração brasileira um processo marcado por reviravoltas até a consolidação de todos os votos.

Fontes consultadas

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