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Saúde

Especialistas destacam desafios e avanços no diagnóstico do câncer de mama

Campanhas de conscientização reforçam a importância do diagnóstico precoce e da individualização dos tratamentos para diferentes tipos de tumores.

Por 3 min de leitura

Especialistas destacam desafios e avanços no diagnóstico do câncer de mama
Especialistas destacam desafios e avanços no diagnóstico do câncer de mama

O cenário do combate ao câncer de mama no Brasil ganha novos debates durante as campanhas de conscientização, que apontam tanto para a necessidade de ampliar o acesso aos exames quanto para a complexidade biológica da doença. Especialistas enfatizam que o acompanhamento médico precisa ir além de um único procedimento e considerar o perfil de risco de cada paciente.

Segundo dados de um levantamento recente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), analisando registros hospitalares entre 2020 e 2023, menos de 30% dos casos de câncer de mama no Brasil foram identificados nos estádios mais precoces. A proporção de diagnósticos nos estádios iniciais 0 ou I foi de 28,1% entre mulheres com 50 anos ou mais, caindo para 23,4% na faixa de 40 a 49 anos e para 14,4% em mulheres de até 39 anos.

A mastologista Anna Silvia de Freitas Lucas aponta que fatores como o medo, a rotina corrida e a ausência de sintomas levam muitas mulheres a adiar a mamografia. No entanto, o diagnóstico precoce amplia as chances de cura e viabiliza tratamentos menos agressivos, permitindo em muitos casos intervenções cirúrgicas menores e a preservação da mama.

Especialistas ressaltam que o câncer de mama não se resume a uma única condição biológica. Através da biópsia, é possível identificar subtipos que exigem abordagens terapêuticas distintas, variando desde terapias hormonais até tratamentos direcionados ou quimioterapia prévia para a redução do tumor antes da cirurgia. O cirurgião oncológico Juliano Rodrigues da Cunha destaca que individualizar o tratamento é fundamental para atender às características específicas de cada paciente e de seu tumor.

De acordo com projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio de 2026 a 2028, o país deve registrar cerca de 78.610 novos casos da doença anualmente. Para o rastreamento populacional geral, o órgão recomenda a mamografia a cada dois anos para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, período em que a detecção precoce apresenta maior eficácia baseada em evidências.

Contudo, profissionais da saúde lembram que a prevenção deve ser moldada conforme o histórico familiar, a idade e os fatores de risco individuais. Casos associados exclusivamente a fatores hereditários representam de 5% a 10% do total, exigindo investigação genética complementar apenas em contextos específicos, como a ocorrência de múltiplos casos na família em idades jovens.

Além disso, as iniciativas de saúde da mulher também englobam a prevenção do câncer do colo do útero, impulsionada pela introdução de testes moleculares para detecção do DNA do HPV pelo Ministério da Saúde. O avanço tecnológico na medicina visa proporcionar jornadas clínicas mais assertivas, garantindo que o cuidado preventivo seja contínuo ao longo de todo o ano.

Fontes consultadas

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