Especialistas explicam a presença de onças em áreas urbanas
Biólogos e pesquisadores apontam que a convivência entre grandes felinos e cidades é antiga e reflete a ocupação de habitats naturais.
A aparição de grandes felinos em áreas urbanas de municípios mato-grossenses tem gerado debates sobre a convivência entre seres humanos e animais silvestres. Registros recentes mostram animais transitando por praças, muros de residências e quintais em localidades como Cáceres e Nova Xavantina, levantando dúvidas sobre os riscos associados a esses encontros.
Segundo o biólogo Gustavo Figueiroa, da organização SOS Pantanal, a presença dos felinos perto de moradias não indica necessariamente um fenômeno inédito ou um aumento repentino no perigo. Para o especialista, o avanço das cidades sobre regiões que compõem o ambiente natural dessas espécies faz com que os animais continuem circulando pelos arredores de matas e rios.
O pesquisador destacou que os riscos existem por se tratar de um predador de grande porte, mas ressaltou que essa relação de proximidade ocorre há séculos. A movimentação noturna dos animais, favorecida pela menor circulação de pessoas, contribui para que câmeras de segurança e moradores registrem a passagem dos felinos em áreas habitadas próximas a zonas de vegetação.
Em Cáceres, diferentes ocorrências nas margens do Rio Paraguai chamaram a atenção da população nos últimos anos, exigindo ações de monitoramento por parte de forças policiais e do Corpo de Bombeiros. Especialistas reforçam que os avistamentos isolados não comprovam um crescimento na população de onças ou uma mudança comportamental drástica dos animais.
Por sua vez, o professor Manoel dos Onde Santos Filho, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), pontua que fatores como a busca de jovens exemplares por novos territórios ou a presença de presas nas proximidades podem influenciar os deslocamentos. Além disso, indivíduos debilitados podem apresentar padrões de movimentação atípicos.
Enquanto o debate sobre a aproximação dos felinos urbanos ganha espaço, iniciativas de conservação em outras regiões do país destacam a importância da proteção dos habitats naturais. Na Bahia, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Lontra completou trinta anos de atuação na preservação da Mata Atlântica, abrigando centenas de espécies de animais e plantas, incluindo a onça-parda.
Localizada entre os municípios de Entre Rios e Itanagra, a unidade administrada pela empresa Bracell atua como um corredor ecológico e já recebeu mais de oitrocentos animais silvestres reabilitados para a soltura. O uso de armadilhas fotográficas e acústicas no local auxilia no monitoramento contínuo da fauna e no desenvolvimento de pesquisas acadêmicas sobre a biodiversidade local.
Fontes consultadas
- Onças nas cidades: o perigo é maior do que parece? Entenda primeirapagina.com.br
- RPPN Lontra completa 30 anos na Bahia com 334 espécies de animais, 200 plantas e mais de 850 animais reabilitados jornalgrandebahia.com.br