Estrela sobrevivente intriga cientistas após supernova de 1181
Novas imagens revelam estruturas detalhadas ao redor do remanescente estelar Pa 30, localizado a cerca de 7.500 anos-luz da Terra.
Uma estrela que sobreviveu à própria explosão há quase 850 anos continua intrigando astrônomos de todo o mundo. Novas imagens obtidas pelo telescópio Gemini North, instalado no Havaí, revelaram detalhes inéditos do remanescente de supernova Pa 30, evento astronômico que foi originalmente registrado em 1181 por astrônomos chineses, japoneses e árabes.
O estudo detalhado, publicado recentemente na revista científica The Astrophysical Journal, aponta que o remanescente exibe estruturas de gás ionizado que formam filamentos e aglomerados com uma uniformidade incomum. O aspecto que mais chama a atenção da comunidade científica é a posição da estrela sobrevivente, que se mantém praticamente no centro dos destroços espaciais, apesar da violência inerente ao processo de explosão.
Situado a uma distância de aproximadamente 7.500 anos-luz da Terra, o objeto Pa 30 está relativamente próximo em termos de escala astronômica. Essa proximidade viabilizou a captura de características morfológicas complexas que seriam de difícil identificação em remanescentes estelares situados em regiões muito mais distantes do universo.
As observações recentes foram produzidas com o auxílio do telescópio Gemini North e revelaram filamentos detalhados de enxofre ionizado e de oxigênio. Os registros de enxofre identificaram cerca de dez vezes mais filamentos do que as imagens anteriores conseguiam distinguir, organizados em sequências de pequenos aglomerados semelhantes a pérolas enfileiradas.
Segundo Ilaria Caiazzo, professora assistente do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria e coautora da pesquisa, cada um desses aglomerados possui dimensões suficientes para comportar a região planetária do Sistema Solar cerca de dez vezes, com espaço de sobra. A regularidade dessas formações espaciais permanece como um dos principais enigmas que a equipe busca solucionar por meio de novos modelos teóricos.
Os cientistas classificam Pa 30 como um remanescente associado a uma supernova do tipo Iax, uma categoria rara de explosão estelar caracterizada por menor liberação energética. Nesse cenário específico, a explosão ocorre de forma incompleta, deixando para trás o que pesquisadores descrevem informalmente como uma estrela zumbi, originada a partir da colisão hipotética de duas anãs brancas.
A posição centralizada da estrela desafia os modelos físicos atuais, uma vez que explosões estelares deveriam impulsionar o remanescente para longe do local do evento devido à conservação de momento. Com o estabelecimento de limites precisos para o movimento aparente da estrela pelo céu, a equipe pretende direcionar esforços futuros para localizar novos remanescentes semelhantes na Via Láctea e em galáxias vizinhas.
Fontes consultadas
- Supernova de 1181 deixou estrela viva e estruturas misteriosas no espaço olhardigital.com.br
- Leia também spacetoday.com.br
- Sinal misterioso dá pistas sobre colisão de estrelas mortas | G1 g1.globo.com