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Esportes

Ex-jogador Walter avalia carreira e aponta falta de estudos

Em entrevista recente, o ex-atacante admitiu prejuízos financeiros e má gestão de sua trajetória nos gramados.

Por 3 min de leitura

Ex-jogador Walter avalia carreira e aponta falta de estudos
Ex-jogador Walter avalia carreira e aponta falta de estudos

O atacante Walter, de 37 anos, fez um balanço de sua trajetória no futebol profissional e reconheceu que poderia ter aproveitado melhor as oportunidades ao longo da carreira. Com passagens por clubes de destaque nacional como Goiás, Fluminense e Athletico, o atleta lamentou não ter investido em educação formal, apontando que a falta de preparo intelectual facilitou que fosse enganado e sofreu sérios impactos financeiros. Atualmente morando em Rio Largo, Alagoas, após deixar o Goiás, o jogador considera seriamente a possibilidade de se aposentar dos gramados.

Segundo o atleta, a falta de instrução básica pesou negativamente em sua vida pessoal e profissional. O jogador relatou que apenas começou a buscar conhecimento acadêmico por volta dos 27 e 28 anos, passando a cuidar de suas finanças somente aos 30. Essa defasagem inicial, conforme explicou, custou caro durante o período em que atuou no exterior, citando como exemplo que levou quase três anos na Europa para compreender o câmbio entre moedas estrangeiras.

O atacante também criticou o ambiente do esporte, descrevendo-o como um cenário repleto de armadilhas e pessoas mal-intencionadas. Em seu relato, ele mencionou a atuação de intermediários e diretores de futebol que supostamente inflacionavam valores salariais para reter parte dos ganhos financeiros dos atletas. Para ele, o domínio de conhecimentos básicos é fundamental para que profissionais em início de carreira consigam se proteger de esquemas fraudulentos e má conduta de terceiros.

Outro momento decisivo apontado como prejudicial à sua trajetória foi a punição por doping sofrida em 2018, quando defendia o CSA na Série B. Após testar positivo para sibutramina, um medicamento para emagrecimento, o atleta cumpriu quase dois anos de suspensão, retornando aos gramados apenas em 2020 pelo Athletico. Conforme estimativas do próprio jogador, o afastamento e a manutenção de um alto custo de vida resultaram na perda de aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Apesar dos erros e das perdas financeiras, o atleta destacou que recebeu conselhos e tentativas de apoio de figuras importantes ao longo de sua jornada, citando o presidente do Porto, o dirigente Mário Celso Petraglia, do Athletico, e o técnico Enderson Moreira. Contudo, admitiu que na época rejeitou a ajuda oferecida e não soube ouvir as orientações dos mais experientes, o que o impediu de alcançar patamares ainda mais elevados no esporte.

Ao comparar a realidade atual com o início de sua trajetória no Santa Cruz, o jogador avaliou que os jovens atletas encontram hoje uma estrutura consideravelmente superior e maior suporte técnico e financeiro. Por fim, o atacante questionou a supervalorização salarial no futebol moderno, argumentando que jogadores atuais recebem quantias elevadas sem a mesma qualificação técnica de nomes consagrados com quem atuou, como Fred e D'Alessandro.

O ex-jogador concluiu deixando um alerta para os atletas que estão ingressando na profissão. Ele reforçou a importância da conscientização nas escolhas diárias, incentivando os mais jovens a rejeitarem a estagnação salarial e a buscarem o desenvolvimento contínuo para alcançar o topo da carreira esportiva sem arrependimentos futuros.

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