Fifa pune Espanha por cânticos xenofóbicos contra o Egito
Federação Espanhola recebeu multa e punição com fechamento parcial de arquibancadas após recurso rejeitado.
A Federação Espanhola de Futebol foi punida pela Fifa devido a manifestações xenofóbicas cometidas por torcedores contra a seleção do Egito. A penalidade, divulgada recentemente após a rejeição de um recurso, inclui o pagamento de uma multa no valor de 20 mil dólares, aproximadamente R$ 101 mil, além do fechamento parcial das arquibancadas no próximo amistoso da equipe nacional como mandante.
O caso teve origem em 31 de março, durante a partida amistosa entre Espanha e Egito que terminou empatada em 0 a 0, realizada no Estádio RCDE, na cidade de Barcelona. Antes e durante o confronto, parte da torcida presente nas dependências do estádio entoou cânticos de cunho preconceituoso e discriminatório.
Entre as manifestações registradas no local, torcedores entoaram frases ofensivas como "quem não pular é muçulmano" e também vaiaram a execução do hino nacional egípcio momentos antes do apito inicial. Diante da situação, a equipe de arbitragem acionou imediatamente o protocolo oficial contra o racismo estabelecido para competições.
Como parte dos procedimentos de segurança e advertência, o sistema de som do estádio exigiu publicamente que os torcedores interrompessem os cânticos discriminatórios. A súmula da partida registrou detalhadamente todas as ocorrências, o que levou a Fifa a instaurar um processo disciplinar para apurar os fatos.
A decisão da entidade máxima do futebol foi tomada inicialmente em agosto, mas manteve-se sob sigilo até a conclusão da análise do recurso apresentado pela Federação Espanhola. Com a rejeição definitiva do pleito, a sanção financeira e a restrição de público para o próximo compromisso da Fúria foram tornadas públicas.
O episódio gerou forte repercussão internacional e motivou manifestações de atletas. O atacante Lamine Yamal, que defendeu a seleção espanhola na ocasião e é muçulmano, utilizou suas redes sociais para criticar duramente a conduta de parte da torcida nas arquibancadas.
Em seu posicionamento, o jogador lamentou o ocorrido e classificou a atitude como uma falta de respeito intolerável. Yamal declarou que utilizar a religião como forma de provocação durante um evento esportivo revela ignorância e racismo, ressaltando que tais comportamentos não representam a totalidade dos torcedores.