Flávio Bolsonaro é citado em e-mails da Operação Sem Desconto
Deputado Lindbergh Farias apresentou notícia-crime à Polícia Federal pedindo a inclusão do senador nas investigações sobre fraudes no INSS.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou neste sábado uma notícia-crime à Polícia Federal (PF) solicitando a inclusão formal do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como investigado na Operação Sem Desconto. O pedido ocorre após a divulgação de mensagens eletrônicas obtidas pelos investigadores que apontam uma conta bancária associada ao nome do parlamentar vinculada ao mesmo perfil de acesso de um escritório ligado ao advogado Willer Tomaz, alvo da apuração sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A existência das correspondências foi confirmada por fontes da PF e da Procuradoria-Geral da República. O material, localizado em arquivos de nuvem durante buscas no escritório de Tomaz, inclui um e-mail enviado em maio de 2025 por uma funcionária do criminalista ao banco Santander. Na mensagem, havia uma solicitação para desvincular e excluir uma conta identificada como "Flávio Bolsonaro" do perfil de usuário principal controlado pelo advogado, que atua como empresário e operador na capital federal.
Para os investigadores, o pedido de exclusão feito logo após o início da operação tem relevância para examinar se existia uma estrutura financeira compartilhada ou a tentativa de apagar vestígios de conexões entre o parlamentar e o advogado. A Operação Sem Desconto apura um esquema de descontos associativos irregulares aplicados sem autorização em aposentadorias e pensões do INSS, gerando desvios estimados em bilhões de reais que afetaram diretamente beneficiários da Previdência Social em todo o país.
Na representação protocolada na Polícia Federal, o deputado Lindbergh Farias argumenta que os elementos encontrados justificam a apuração de um eventual vínculo financeiro entre o senador e o esquema atribuído a Willer Tomaz, classificado pelas autoridades como um centro logístico e patrimonial para a ocultação de valores. O parlamentar petista também requereu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro e de seu escritório de advocacia.
A defesa de Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer irregularidade e classificou as acusações como notícias falsas divulgadas com objetivos eleitorais, em meio ao período de campanha para o segundo turno presidencial previsto para o final de outubro. A equipe do senador afirmou em nota que ele jamais manteve contas bancárias controladas por Tomaz ou por empresas associadas ao advogado.
Por sua vez, Willer Tomaz também refutou a existência de qualquer relação comercial ou financeira com o senador, sustentando que entre os dois há apenas uma relação de amizade. Os representantes legais do advogado informaram que medidas criminais foram adotadas contra a divulgação de acusações que consideram infundadas e que a Polícia Federal abriu uma investigação para apurar o vazamento de dados protegidos por sigilo.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não figura formalmente como investigado nos autos principais da Operação Sem Desconto, e a Polícia Federal ainda não emitiu manifestação oficial detalhando os próximos passos em relação ao material encontrado nos e-mails. O caso adiciona novos elementos à reta final da disputa eleitoral brasileira, enquanto as autoridades continuam a rastrear os fluxos financeiros desviados do órgão previdenciário.
Fontes consultadas
- Lindbergh aciona PF e pede investigação de Flávio Bolsonaro por fraudes no INSS brasil247.com
- Flávio Bolsonaro Denies Bank Link 14 Days Before Runoff riotimesonline.com
- E-mails indicam que Flávio dividiu conta bancária com advogado investigado na fraude do INSS estadao.com.br
- Flávio Bolsonaro é alvo de pedido de investigação na operação sobre fraudes no INSS - Metro 1 metro1.com.br
- Policía Federal de Brasil vincula a Flávio Bolsonaro con desfalco al Inss - Últimas Noticias ultimasnoticias.com.ve