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Política

Flávio Bolsonaro evita responder sobre modelo de Milei em debate

Durante embate na televisão, candidato do PL esquivou-se de perguntas sobre o uso de políticas de corte de gastos semelhantes às da Argentina.

Por 2 min de leitura

Flávio Bolsonaro evita responder sobre modelo de Milei em debate
Flávio Bolsonaro evita responder sobre modelo de Milei em debate

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) evitou se comprometer a adotar a política econômica do presidente argentino Javier Milei durante o debate presidencial promovido por Band e Estadão na noite do último domingo. Questionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre um possível alinhamento com o modelo do governante vizinho, o senador esquivou-se das indagações e não confirmou a adoção de medidas inspiradas no projeto ultraliberal argentino.

O confronto entre os dois principais concorrentes ao Palácio do Planalto foi marcado por forte tensão e trocas de acusações mútuas desde os primeiros blocos. Lula insistiu no tema ao lembrar que Milei é apontado como inspiração por aliados do senador e chegou a participar de um comício da campanha bolsonarista em São Paulo, questionando diretamente se o adversário pretendia utilizar medidas drásticas de redução do Estado.

"Você vai pegar a motosserra emprestada do Milei?", perguntou o atual presidente durante o programa, citando também indicadores sociais e econômicos negativos da Argentina, como o aumento da pobreza e do desemprego registrados sob a gestão do líder argentino. Em resposta às provocações sobre o símbolo de cortes profundos associado a Milei, Flávio Bolsonaro desviou do foco econômico e rebateu com críticas à administração federal atual.

Sem assumir o compromisso com o receituário argentino, o candidato do PL afirmou que aplicará medidas duras contra desvios de recursos na administração petista. "O que eu vou fazer, Lula, é 'tesouraço' na corrupção do seu governo", declarou o senador, optando por não detalhar planos de ajuste fiscal baseados no modelo estrangeiro.

A discussão sobre a influência de Javier Milei ocorre em um momento em que a coordenação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro já havia mencionado inspirações nas reformas desregulatórias do país vizinho para revogar normas no Brasil. No entanto, diante das pressões do debate e dos dados recentes que mostram a retração econômica e o avanço da pobreza e da indigência no primeiro semestre na Argentina, o candidato evitou vincular explicitamente sua plataforma de governo à imagem da chamada "motosserra".

Além do embate econômico internacional, o debate abordou diversos outros temas sensíveis para ambas as campanhas, incluindo acusações sobre escândalos de corrupção, investigações policiais, questões sociais e o histórico de gestões passadas. O encontro televisivo é considerado estratégico pelas equipes de campanha, ocorrendo em um cenário de empate técnico nas pesquisas de intenção de voto e com o eleitorado ainda dividido às vésperas do pleito.

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