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Saúde

França registra primeira morte humana por vírus Shamonda

Autoridades de saúde afirmam que o caso é isolado e não representa risco de transmissão generalizada para a população.

Por 3 min de leitura

França registra primeira morte humana por vírus Shamonda
França registra primeira morte humana por vírus Shamonda

A França registrou o primeiro caso conhecido de infecção pelo vírus Shamonda em um ser humano, resultando na morte do paciente em um hospital na cidade de Lyon. A vítima, um homem na faixa dos 60 anos com o sistema imunológico severamente enfraquecido, estava internada para tratar outra doença grave quando contraiu o patógeno. O óbito ocorreu no início de outubro e surpreendeu a comunidade científica, já que até então o vírus era considerado inofensivo para humanos.

Segundo as investigações conduzidas pelo governo francês, a principal hipótese é de que o paciente tenha sido picado por um inseto vetor, especificamente um mosquito pólvora, no leste da França. A região havia apresentado circulação do vírus entre animais durante a primavera e o verão europeu. As autoridades destacam que as complicações cerebrais apresentadas pelo paciente antes de falecer estão muito provavelmente associadas à infecção pelo Shamonda.

Apesar da gravidade do caso, a Organização Mundial da Saúde informou estar em contato com as autoridades francesas e avaliou que o episódio é isolado. De acordo com a agência da ONU, o conhecimento atual sobre a transmissão de vírus semelhantes indica que a ocorrência é restrita e dificilmente levará a uma disseminação mais ampla entre a população neste momento.

Representantes do governo da França reforçaram que do ponto de vista médico e de saúde pública não há nenhum alerta ou crise em curso. Gûery Emery, chefe da diretoria de saúde do país, classificou o evento como sem precedentes científicos, mas reiterou que não há registros conhecidos de transmissão entre gado e humanos ou de pessoa para pessoa.

Originalmente identificado na Nigéria em meados da década de 1960, o vírus Shamonda é comumente encontrado em rebanhos bovinos, além de afetar animais como ovelhas, cabras, cavalos e alpacas. A transmissão ocorre primariamente através da picada de insetos vetores. Nos animais, os sintomas incluem diarreia, fraqueza, perda de apetite, febre e quedas drásticas na produção de leite, podendo também causar malformações fetais e abortos.

O patógeno foi detectado pela primeira vez na Europa no final de julho, após testes genômicos em gado doente na Alemanha, Suíça e França. Desde então, a presença do vírus foi identificada em mais de uma dezena de países europeus, incluindo Áustria, Bélgica, Irlanda, Itália, Portugal, Espanha e Reino Unido. No entanto, o Shamonda não é classificado como uma doença de notificação obrigatória pelas leis de saúde animal da União Europeia ou da Organização Mundial de Saúde Animal.

Especialistas continuam avaliando o impacto de longo prazo das variantes europeias do vírus nos rebanhos, enquanto os criadores foram orientados a relatar qualquer suspeita aos órgãos competentes. Enquanto isso, o caso humano registrado na França permanece sob análise como uma ocorrência excepcional decorrente da vulnerabilidade imunológica extrema do paciente.

Fontes consultadas

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