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Governo francês adota toques de recolher após onda de violência e saques

Primeiro-ministro Sébastien Lecornu solicitou medidas parciais a prefeitos e não descarta decretar estado de emergência.

Por 3 min de leitura

Governo francês adota toques de recolher após onda de violência e saques
Governo francês adota toques de recolher após onda de violência e saques

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira, 19, que pediu aos prefeitos a implementação de toques de recolher parciais e localizados em determinadas áreas urbanas do país. A medida ocorre após um fim de semana marcado por intensos protestos contra o alto custo de vida e problemas na educação, que resultaram em atos de violência, saques a estabelecimentos comerciais, incêndios e confrontos com as forças de segurança em cidades como Paris, Marselha, Lyon e Lille.

Durante uma reunião de crise realizada em Paris, Lecornu declarou estar totalmente determinado a restabelecer a ordem pública e atribuiu os distúrbios a grupos de extrema esquerda e criminosos dispostos a desestabilizar o país. O chefe de Governo afirmou que o Executivo poderá decretar estado de emergência se julgar necessário, embora considere o toque de recolher a resposta mais adequada no momento. Restrições específicas já começaram a ser aplicadas, como a proibição de manifestações em Marselha entre o meio-dia e as 20h, e a adoção de toque de recolher noturno na cidade de Denain.

O balanço oficial divulgado pelo Ministério do Interior indica que cerca de 2.400 pessoas foram detidas e quase mil policiais ficaram feridos durante os confrontos do fim de semana. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu publicamente que as autoridades perderam o controle em algumas grandes cidades diante da rápida escalada dos atos de violência. Apesar de ter apresentado sua renúncia, Nuñez teve o pedido negado pelo presidente Emmanuel Macron, que destacou a importância de manter o comando unificado das forças de segurança.

O presidente Emmanuel Macron fez um pronunciamento na televisão condenando os episódios de destruição e afirmando que os vândalos e saqueadores serão responsabilizados pelos danos. O mandatário reconheceu falhas na capacidade de antecipação e inteligência do governo, mas pediu que os responsáveis pelos distúrbios não sejam confundidos com os manifestantes pacíficos que protestaram legitimamente. O governo também anunciou medidas econômicas para apoiar cerca de 3.000 comércios afetados, permitindo que recorram a regimes de redução de jornada financiados pelo Estado.

A onda de protestos que abala o país teve início no final de setembro, impulsionada por estudantes insatisfeitos com a falta de professores na rede pública e com a desigualdade no sistema educacional, em meio a preparativos governamentais para um rigoroso ajuste fiscal. A tensão aumentou nesta segunda-feira com o bloqueio do Museu do Louvre por dezenas de estudantes da Escola do Louvre e manifestantes de Belas Artes, que utilizaram o espaço como caixa de ressonância para o movimento.

A situação na França gerou repercussões internacionais. A União Europeia classificou como inaceitáveis os ataques a edifícios públicos, saques e incêndios criminosos, ao mesmo tempo em que reforçou a importância de proteger o direito fundamental a protestos pacíficos. Na Alemanha, o governo expressou preocupação com as imagens de violência em cidades como Paris e Limoges, atualizando alertas de viagem para orientar cidadãos a redobrarem a cautela. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump manifestou-se por meio de rede social, defendendo o fechamento de fronteiras pelo governo francês.

Enquanto o governo tenta conter a crise a seis meses da próxima eleição presidencial, sindicatos e coletivos de estudantes já articulam novas mobilizações para os próximos dias. A coordenação dos coletes amarelos anunciou um novo ato para o próximo sábado, e frentes sindicais convocaram greves e manifestações para o início de novembro em defesa dos salários e dos serviços públicos. Autoridades confirmaram, contudo, que as medidas de restrição não afetarão a partida de futebol entre Paris Saint-Germain e Barcelona, prevista para ocorrer na capital francesa.

Fontes consultadas

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