Grêmio negocia rescisão de Luís Castro em meio a dificuldades financeiras
Clube gaúcho busca formato de parcelamento para quitar o valor da multa com o treinador português, demitido há mais de um mês.
O Grêmio segue em negociações com o técnico Luís Castro para definir o formato de pagamento da rescisão contratual, pendência que se arrasta há mais de um mês desde a demissão do treinador português. Enfrentando um cenário de restrições financeiras e complicações esportivas na temporada, a diretoria tricolor busca viabilizar uma proposta de parcelamento longo que não comprometa o planejamento econômico do clube.
A saída de Luís Castro ocorreu em 13 de setembro, após o término de sua passagem pelo comando da equipe em 50 partidas disputadas entre o Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil, Brasileirão e Sul-Americana, acumulando 19 vitórias, 14 empates e 17 derrotas. O vínculo original do profissional era válido até dezembro de 2027 e previa o pagamento integral dos salários restantes em caso de rompimento antecipado.
Quanto ao montante total da dívida, as estimativas divergem nos bastidores. Enquanto fontes apontam que a quantia inicial de R$ 35 milhões pode ser reduzida para cerca de R$ 10 milhões após novos ajustes — considerando previsões contratuais de multas diárias por atraso —, outras informações indicam que o valor estimado gira em torno de R$ 25 milhões. Até o momento, o clube gaúcho não confirmou oficialmente os números finais da operação.
Para tentar solucionar o impasse sem agravar o caixa, a gestão gremista apresentou uma primeira oferta com foco na divisão estendida dos pagamentos. Atualmente, o treinador permanece em Porto Alegre junto aos seus representantes e ao departamento jurídico do clube para discutir os termos finais, incluindo o calendário e as condições do acordo que ainda não foi assinado.
A questão financeira em torno da rescisão coincide com um momento delicado do Grêmio dentro das quatro linhas. Sob o comando do recém-chegado Renato Portaluppi, que substituiu Luís Castro, a equipe ocupa a 18ª colocação no Campeonato Brasileiro com 31 pontos, lutando para evitar o rebaixamento para a Série B, o que representaria uma perda expressiva de receitas na próxima temporada.
Além do acerto com a comissão técnica anterior, o clube enfrenta outros desafios administrativos e judiciais recentes, como a inclusão de um plano coletivo para a quitação de dívidas na Câmara Nacional de Resolução de Disputas e a aplicação de um transfer ban. O departamento de futebol tenta equilibrar a necessidade de resultados imediatos no torneio nacional e na semifinal da Copa do Brasil contra o Atlético-MG com a reorganização das contas.