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Greta Thunberg apoia protestos estudantis na França

Ativista sueca participou de atos em Saint-Denis nesta terça-feira durante a quarta semana de mobilizações por melhorias na educação.

Por 3 min de leitura

Greta Thunberg apoia protestos estudantis na França
Greta Thunberg apoia protestos estudantis na França

A ativista climática Greta Thunberg uniu-se a estudantes franceses em protesto nesta terça-feira, em Saint-Denis, na periferia de Paris, exigindo melhores condições de aprendizado e investimentos em infraestrutura escolar. O movimento, que já dura quatro semanas, tem levado centenas de milhares de pessoas às ruas de grandes cidades do país para criticar a superlotação das salas de aula, a escassez de professores e a degradação dos prédios escolares.

Enquanto fontes ministeriais apontam que mais de 161 mil pessoas participaram das manifestações em todo o território nacional — um recuo em relação aos 266 mil da semana anterior —, estudantes continuam bloqueando acessos a colégios e marchando pacificamente. A presença de Thunberg no Liceu Paul Eluard marcou uma surpresa para os jovens manifestantes, que cobram um aumento de 10 bilhões de euros nos recursos destinados aos liceus do país.

Em declarações à imprensa, a ativista sueca afirmou que a juventude global acompanha o movimento com admiração e destacou que as novas gerações estão se mobilizando diante de um futuro incerto. Segundo ela, a falta de investimentos na educação pública e a ausência de priorização dos jovens na sociedade atual justificam a revolta estudantil, ressaltando que os estudantes estão apenas reivindicando seus direitos básicos e exigindo mudanças estruturais.

Apesar de a maior parte das marchas ter ocorrido de forma pacífica, o dia de protestos voltou a registrar episódios de confronto, com a atuação da polícia de choque disparando gás lacrimogêneo em localidades como Paris, Lyon, Estrasburgo e Nantes. Grupos minoritários de manifestantes depredaram propriedades, incendiaram carros e atiraram objetos contra as forças de segurança, enquanto autoridades locais relataram dezenas de feridos entre policiais e funcionários escolares ao longo das últimas semanas.

A resposta policial e o uso de armamentos de controle de distúrbio têm gerado forte repercussão política e denúncias de violência excessiva. O Ministério do Interior suspendeu o uso de um modelo específico de granada de atordoamento após um adolescente de 15 anos perder a mão em decorrência do artefato. Organizações de direitos humanos e entidades internacionais acompanham os desdobramentos, com pelo menos 24 investigações internas abertas sobre alegações de brutalidade policial.

O cenário de protestos ocorre a seis meses das eleições presidenciais francesas, acirrando o debate político em torno da gestão do presidente Emmanuel Macron. O governo argumenta que o movimento perde força e aponta que a reabertura de escolas e a redução nos bloqueios demonstram esvaziamento dos atos, embora promessas de contratação de professores substitutos sejam consideradas insuficientes pelos manifestantes e sindicatos.

As demandas estudantis encontraram eco no espectro político e geraram reações polarizadas entre os principais candidatos à presidência. Enquanto o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon participou de uma das marchas em Paris e criticou a atuação policial, a líder de extrema-direita Marine Le Pen condenou a violência dos manifestantes e defendeu a responsabilização financeira de vândalos e de seus responsáveis legais por danos ao patrimônio público.

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