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Saúde

IMC elevado ultrapassa pressão alta como fator de risco no Brasil

Estudo publicado na revista científica The Lancet aponta que o índice de massa corporal elevado tornou-se o principal fator de risco à saúde dos brasileiros em 2023.

Por 3 min de leitura

IMC elevado ultrapassa pressão alta como fator de risco no Brasil
IMC elevado ultrapassa pressão alta como fator de risco no Brasil

O Índice de Massa Corporal (IMC) elevado tornou-se o principal fator de risco à saúde dos brasileiros em 2023, superando a pressão alta e ocupando uma posição que, em 1990, era a sétima no ranking nacional. A constatação faz parte de um estudo divulgado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, conduzido por meio do Estudo Global de Carga de Doenças com a participação de centenas de pesquisadores brasileiros.

Enquanto o país obteve avanços importantes na redução de mortes por infarto e acidente vascular cerebral (AVC) — impulsionadas pela queda expressiva no número de fumantes e pelo melhor controle da hipertensão na atenção primária —, o peso da população seguiu o caminho inverso. Entre os diversos fatores de risco analisados ao longo de mais de três décadas, o IMC e os níveis altos de glicose foram os que menos recuaram.

O IMC é uma ferramenta matemática amplamente utilizada para avaliar o estado nutricional e físico, calculada dividindo o peso de uma pessoa pelo quadrado de sua altura. De acordo com especialistas, valores abaixo de 18,5 indicam baixo peso, enquanto a faixa entre 18,5 e 24,9 representa peso normal. Índices de 25 a 29,9 configuram sobrepeso, e resultados iguais ou superiores a 30 caracterizam obesidade.

Especialistas em cardiologia alertam que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica e não como uma falha individual decorrente da falta de força de vontade. O organismo humano tende a guardar a memória do maior peso alcançado, o que torna o processo de emagrecimento e a manutenção a longo prazo um desafio constante que exige acompanhamento profissional contínuo.

O acúmulo de gordura corporal, especialmente na região abdominal, mantém o corpo em estado de inflamação crônica, lesando os vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial e a glicose, e aumentando o esforço exigido do músculo cardíaco. Pesquisadores apontam que entre 70% e 75% das pessoas que convivem com a obesidade também apresentam quadros de hipertensão.

O cenário é agravado por desigualdades socioeconômicas e alimentares. Alimentos ultraprocessados, de menor custo e preparo rápido, muitas vezes se tornam mais acessíveis do que frutas, legumes e alimentos integrais, dificultando a adesão a dietas balanceadas para parcelas significativas da população.

Diante desse panorama, médicos e pesquisadores reforçam a necessidade de priorizar a prevenção e o controle do peso nas políticas públicas de saúde de longo prazo, integrando o combate à obesidade às estratégias de enfrentamento das doenças crônicas no país.

Fontes consultadas

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