Impasse eleitoral no Rio de Janeiro aguarda definição do TSE sobre segundo turno
A realização de um novo pleito entre Douglas Ruas e Eduardo Paes depende da validação de votos atribuídos a Anthony Garotinho.
A disputa pelo governo do estado do Rio de Janeiro encontra-se em um impasse jurídico e político, sem definição exata sobre a ocorrência de um segundo turno entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). O cenário depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a respeito do destino de 274,4 mil votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura estava com o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) devido a uma condenação por improbidade administrativa.
No primeiro turno realizado no último domingo, Douglas Ruas obteve 49,2% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes alcançou 42,7%. Caso o TSE determine a anulação dos sufrágios direcionados a Garotinho, que somaram 3,1% do total, o candidato do PL ultrapassará a marca de 50% dos votos válidos e garantirá a vitória logo na primeira etapa do pleito estadual.
A situação ganhou novos contornos após o ex-governador Anthony Garotinho anunciar a desistência do recurso que tramitava no TSE para tentar validar sua candidatura. Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, ele classificou a movimentação como uma decisão de cunho político, afirmando que a definição sobre o primeiro turno caberia à Justiça Eleitoral.
A decisão de Garotinho gerou divergências entre os principais concorrentes. A equipe de Eduardo Paes argumenta que a manobra visa beneficiar Douglas Ruas e evitar o segundo turno, configurando uma interferência indevida no processo democrático. Por outro lado, Ruas sustenta que a posição de Paes representa uma contradição, relembrando que a própria coligação do candidato do PSD havia ajuizado ações para pedir a impugnação do registro de Garotinho.
O Ministério Público Eleitoral manifestou-se favorável à validade da desistência apresentada pela defesa de Garotinho, embora tenha sugerido que o mérito seja julgado caso o relator do processo, ministro Floriano de Azevedo Marques, discorde do entendimento. Especialistas em direito eleitoral apontam que o Código de Processo Civil não estipula limitações objetivas de horário para esse tipo de desistência, mas alertam para os riscos de negociações políticas com potenciais vencedores da disputa.
Enquanto a Corte Eleitoral não emite um veredito definitivo, as atividades de campanha seguem normalmente no estado. A propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão está programada para iniciar em 9 de outubro, caso o segundo turno seja mantido, com divisão igualitária de tempo entre Ruas e Paes.
Em paralelo aos desdobramentos judiciais, o governador em exercício Ricardo Couto já iniciou articulações institucionais. Couto manteve contato com ambos os candidatos finalistas para parabenizá-los e colocou a máquina administrativa do estado à disposição para dar início ao processo de transição governamental assim que o próximo chefe do Executivo fluminense for oficialmente declarado vencedor.
Fontes consultadas
- Vai ter segundo turno? Por que Garotinho é decisivo? Quando haverá definição? Veja perguntas e respostas sobre impasse no Rio oglobo.globo.com
- Couto liga também para Paes e se oferece para apresentar a máquina do estado e dar início à transição assim que o novo governador for considerado eleito temporealrj.com
- Segundo turno entre Ruas e Paes no RJ depende do TSE conjur.com.br