Janones orienta apoiadores a espalhar associação sem provas entre Bolsonaro e Lula
Estratégia digital adotada na reta final da campanha busca induzir eleitores a buscarem termos na internet sem apresentar evidências.
A cinco dias da realização do segundo turno das eleições, o deputado federal André Janones (Rede-MG) iniciou uma manobra de mobilização digital voltada para incentivar eleitores a pesquisarem termos que associam o ex-presidente Jair Bolsonaro a um suposto plano de atentado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A diretriz, compartilhada nesta terça-feira (20), orienta apoiadores a disseminarem mensagens nas redes sociais para gerar curiosidade no público.
De acordo com a estratégia adotada pelo parlamentar, a instrução repassada aos membros de seu canal no aplicativo WhatsApp consiste em publicar chamadas que instigam os internautas a realizarem pesquisas com a frase sobre o suposto crime. A tática induz os eleitores a buscarem o conteúdo por conta própria, sem que haja a apresentação de provas ou a assunção de veracidade sobre a acusação.
A iniciativa tem como objetivo central manipular o interesse público e o fluxo de informações na reta final da disputa eleitoral. Ao inflar o volume de pesquisas por uma frase específica, a manobra tenta forçar o surgimento de determinados resultados para influenciar a percepção do eleitorado sem a necessidade de comprovação factual.
O deputado possui ampla capilaridade digital, contando com uma base de seis milhões de seguidores apenas em uma de suas redes sociais, além de administrar grupos dedicados à mobilização de apoiadores. Esse alcance potencializa a disseminação rápida de orientações coordenadas entre seus eleitores e simpatizantes.
Não há registros de provas que sustentem a acusação associada a Jair Bolsonaro. A própria orientação transmitida aos apoiadores deixa explícita a ausência de evidências materiais, utilizando o estímulo à curiosidade e à busca ativa como principal mecanismo de atuação eleitoral.
O histórico de André Janones na Justiça Eleitoral inclui episódios anteriores em que o parlamentar foi alvo de determinações judiciais para a remoção de conteúdos classificados como desinformação ou notícias falsas durante períodos de campanha.
Diante da movimentação na internet, representantes da oposição e juristas passaram a acompanhar de perto os desdobramentos da estratégia digital. O grupo avalia a possibilidade de acionar formalmente o Tribunal Superior Eleitoral para responder à conduta adotada na reta final da votação.