Jovem perde movimentos após ir em montanha-russa do Hopi Hari
Administradora sofreu traumatismo craniano em abril de 2026 e família acusa o parque de interromper auxílio médico.
A administradora Júlia Bossoni, de 28 anos, sofreu um traumatismo craniano e perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo após andar na montanha-russa Montezum, localizada no parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo. O caso, ocorrido em abril de 2026, passou a ser investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo após repercussão nacional.
De acordo com relatos da família, o casal visitou o parque e utilizou a atração duas vezes. Na segunda descida, após o uso de um passe VIP, câmeras de segurança registraram a jovem consciente na subida, mas, minutos depois, ela retornou desacordada e apresentando convulsões. Júlia foi socorrida no ambulatório local e encaminhada à Santa Casa de Vinhedo.
Exames realizados no hospital apontaram hemorragia intracraniana, edema cerebral e traumatismo cranioencefálico decorrente de um mecanismo de contragolpe associado aos movimentos bruscos do brinquedo. A paciente permaneceu internada por 57 dias na cidade paulista antes de ser transferida para Londrina, no Paraná, onde reside.
A mãe da vítima, Danielle Rímoli, relatou que a assistência prestada pela administração do parque foi cortada assim que a filha deixou o estado de São Paulo. Segundo ela, o seguro acionado cobriu apenas a hospedagem e a alimentação da família durante os dois meses iniciais em Vinhedo, sem arcar com tratamentos diretos para a jovem.
O quadro de saúde de Júlia apresentou regressão nos últimos meses, exigindo novas internações para cirurgias na cabeça destinadas a corrigir complicações como hidrocefalia e a aderência do couro cabeludo ao cérebro. A rotina atual da administradora envolve sessões diárias de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e eletromodulação para recuperar parte da fala e da mobilidade limitada.
Em nota oficial, o Hopi Hari declarou que a montanha-russa Montezum possui certificação internacional do Grupo TUV Nord, passa por inspeções anuais e cumpre rigorosamente as normas de segurança vigentes para parques de diversões. A empresa afirmou ainda que prestou pronto atendimento à visitante, custeou as despesas durante a permanência da família em Vinhedo e que o Ministério Público descartou risco coletivo na atração em agosto de 2026.
A investigação conduzida pelas autoridades também resgata ocorrências anteriores na mesma atração. Em 2018, uma frequentadora teve vértebras deslocadas e precisou implantar pinos e hastes na região cervical. Em um caso mais grave de 2014, um visitante ficou tetraplégico em decorrência de problemas neurológicos causados pelos solavancos do brinquedo e faleceu em 2023 por complicações de infecção. Plataformas de consumidores também registram dezenas de queixas recentes sobre lesões associadas à montanha-russa, embora a direção do parque considere o índice estatístico irrelevante diante do volume anual de visitantes.