Pular para o conteúdo
Política

Jovens intensificam mobilização e estratégias de vira-voto na reta final da eleição

Apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro utilizam redes sociais, debates e ações de rua para conquistar eleitores e reduzir a abstenção no segundo turno.

Por 4 min de leitura

Jovens intensificam mobilização e estratégias de vira-voto na reta final da eleição
Jovens intensificam mobilização e estratégias de vira-voto na reta final da eleição

Na reta final da disputa presidencial do segundo turno, marcada para o dia 25 de outubro, apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram as mobilizações direcionadas a uma parcela estratégica do eleitorado: os jovens entre 16 e 24 anos. Diante do resultado apertado no primeiro turno, campanhas de ambos os lados buscam convencer eleitores indecisos, virar votos e combater a abstenção por meio de ações que combinam a presença em espaços públicos e a atuação intensa nas plataformas digitais.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o país registrou 19,2 milhões de jovens aptos a votar no primeiro turno de 2026, número inferior aos 21,4 milhões contabilizados em 2022. No comparecimento às urnas, a mesma tendência de queda foi observada: 14,9 milhões de eleitores dessa faixa etária votaram na primeira etapa deste ano, comparados aos 16,9 milhões que compareceram no pleito anterior. Apesar da redução no total de votantes, a juventude tem desempenhado um papel ativo na fase decisiva.

Para a cientista política Marcela Machado, da Universidade de Brasília (UnB), o segundo turno naturalmente engaja mais o público jovem, impulsionado pela necessidade de posicionamento e pela influência do convívio social. Segundo a especialista, a juventude atua como um filtro e um atalho cognitivo nos círculos sociais, levando mensagens a parcelas da população que não acompanham a propaganda eleitoral tradicional. "Ao ver amigos e pessoas próximas se envolvendo nas campanhas, o jovem é estimulado a tomar uma decisão: 'está todo mundo fazendo, eu vou também', mesmo sem se considerar tão engajado ou totalmente inclinado àquele candidato", explicou.

As estratégias variam conforme a região e o alinhamento político. Do lado dos apoiadores de Lula, a estudante Isadora de Oliveira, de 24 anos, destacou a importância de ocupar espaços coletivos. Ela ajudou a organizar um ato com cerca de 60 mil pessoas em Brasília em 13 de outubro. "A gente quer ocupar faculdades, ônibus, metrô e conversar com as pessoas para mostrar que o futuro que a gente precisa não cabe no projeto da extrema-direita nem no de Flávio Bolsonaro, mas que será construído por nós, a partir da luta dos estudantes", declarou.

Entre os defensores de Flávio Bolsonaro, o engajamento também ocorre de forma presencial e digital. João Pedro Porto, de 18 anos, coordena um grupo universitário de oposição ao atual presidente e tem organizado adesivaços e atos em frente a instituições de ensino. Já Alexandra Carvalho, de 22 anos, criou um canal de mensagens para disseminar materiais de campanha diariamente. "A nossa força não pode ficar apenas nas telas. Precisamos levar essa mobilização para as faculdades, para as ruas e para os espaços de debate, porque a direita não quer apenas ocupar as redes sociais", afirmou.

A internet também tem servido para ampliar o alcance territorial das campanhas. Daniella Dutra, de 21 anos e apoiadora de Lula, abriu seu perfil nas redes sociais nesta etapa para dialogar com pessoas de outros estados. No âmbito presencial, Bruna Lima, de 20 anos, aposta em banquinhas de vira-voto em paradas de ônibus e universidades para dialogar diretamente com os trabalhadores. "A gente está indo sempre para olhar olho no olho do trabalhador e falar: por que você votou no Flávio Bolsonaro? Ou então por que você não saiu de casa para votar?", pontuou.

Mesmo com o voto facultativo para quem tem 16 e 17 anos — faixa que somou 1,4 milhão de votos no primeiro turno —, adolescentes como Maria Clara Lobão, de 16 anos, decidiram pautar discussões nas escolas. Para a estudante, os debates ajudam amigos a romperem com a reprodução automática de opiniões familiares e a formarem posicionamentos próprios na reta final da disputa.

Fontes consultadas

Leia também