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Política

Lula aceita exigências de Flávio sobre sigilos, mas cobra dados de offshore

Campanha petista concorda com termos impostos pelo candidato do PL, mas condiciona a medida à liberação de informações da empresa Alcazar Holdings.

Por 3 min de leitura

Lula aceita exigências de Flávio sobre sigilos, mas cobra dados de offshore
Lula aceita exigências de Flávio sobre sigilos, mas cobra dados de offshore

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira que o chefe do Executivo aceita todas as condições impostas pelo senador Flávio Bolsonaro para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. A troca de exigências entre os candidatos ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais e movimenta o cenário político nacional com pedidos cruzados de transparência.

A polêmica teve início quando Lula desafiou o adversário durante um debate televisivo. Em resposta, a campanha petista protocolou no Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para divulgar os sigilos do presidente e de seus familiares referentes aos últimos oito anos. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro apresentou sua própria petição ao TSE nesta quarta-feira, concordando em abrir seus dados dos últimos 20 anos, mas impondo dezenas de condicionantes.

Entre as exigências feitas pelo senador do PL estão a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete da Presidência, além de informações detalhadas sobre o Instituto Lula, registros de visitantes no Palácio da Alvorada e despesas do cartão corporativo da Presidência. O parlamentar também pediu a inclusão de dados sobre familiares do presidente e pessoas próximas.

Em entrevista coletiva realizada em Brasília, o senador Camilo Santana, porta-voz da campanha petista, afirmou que o presidente não se opõe a nenhuma das exigências apresentadas pelo adversário. Contudo, a equipe de Lula cobrou que o senador cumpra integralmente os termos propostos e inclua em sua autorização os dados da Alcazar Holdings, uma empresa offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

A offshore é controlada pelo advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio. Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que o senador seria usuário master da conta da empresa, levantando suspeitas investigadas pelas autoridades. A campanha de Lula argumenta que a inclusão dessa companhia é fundamental para garantir a paridade na fiscalização patrimonial e financeira dos candidatos.

Além das questões financeiras, o embate político também tem gerado debates sobre o futuro do Supremo Tribunal Federal. Durante agenda de campanha em São Paulo, Flávio Bolsonaro declarou que, caso seja eleito, indicará magistrados contrários ao aborto e à descriminalização de drogas, criticando eventuais nomeações que poderiam ser feitas por Lula caso o petista conquiste a reeleição.

Especialistas apontam que as movimentações em torno da quebra de sigilos possuem forte apelo de marketing político e buscam pressionar os concorrentes por maior transparência pública. A expectativa é de que novos desdobramentos e petições sejam formalizados perante a Justiça Eleitoral enquanto as equipes ajustam as estratégias para a reta final da disputa.

Fontes consultadas

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