Macron promete conter novos distúrbios na França e critica líderes
Presidente francês rechaça desordem para o próximo sábado e classifica declarações internacionais como estúpidas.
O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta quarta-feira que impedirá novos atos de violência e saques durante as manifestações programadas para o próximo sábado, enquanto sindicatos, estudantes e o movimento dos Coletes Amarelos organizam novas mobilizações em Paris e em outras cidades do país. As declarações ocorrem após os graves distúrbios registrados no último fim de semana, que resultaram em confrontos com as forças de segurança, incêndios em prédios públicos e danos a cerca de 3 mil estabelecimentos comerciais.
Em viagem oficial ao Catar, Macron afirmou que aqueles que tentarem provocar desordem nos centros urbanos nos próximos protestos serão contidos pelas autoridades. O chefe de Estado também classificou como inaceitáveis e estúpidos os comentários feitos por alguns líderes estrangeiros sobre a crise francesa. Sem citar nominalmente todos os envolvidos, o presidente confirmou que suas críticas se direcionavam ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia atribuído a turbulência social à imigração em massa e ao islamismo radical.
A onda de protestos, que começou a ganhar força em setembro em meio a reivindicações por melhores condições educacionais e contra o alto custo de vida, culminou em atos violentos que surpreenderam o governo e a polícia pela intensidade. O Ministério do Interior estimou a participação de centenas de milhares de pessoas no último sábado, enquanto o balanço oficial aponta aproximadamente 2.500 detidos em todo o território nacional desde o início dos episódios de depredação.
Diante da gravidade da situação e da proximidade de novos atos convocados para o final de semana, o governo implementou toques de recolher noturnos em áreas estratégicas de Paris, como a região de Les Halles e a Praça da República. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou que haverá uma mobilização de segurança maciça, com planos para reforçar o policiamento e evitar a repetição das falhas operacionais observadas nos confrontos anteriores.
A crise também gerou forte embate político e acusações cruzadas entre o governo e partidos de oposição. Enquanto lideranças da centro-direita governista e da extrema direita, representada por Marine Le Pen, culparam a esquerda radical e o partido França Insubmissa por supostamente incentivarem a desordem, legendas oposicionistas rejeitaram qualquer vínculo com os atos de vandalismo e criticaram a possibilidade de emprego de forças militares adicionais nas ruas.
No âmbito econômico, os distúrbios causaram forte impacto nos mercados financeiros, elevando os custos de financiamento do governo francês e pressionando os rendimentos dos títulos de referência de dez anos para patamares não vistos em mais de duas décadas. Analistas apontam que a agitação ameaça os planos fiscais do país em um momento de crescentes pressões orçamentárias.
Enquanto o primeiro-ministro se reuniu com líderes sindicais e organizações de trabalhadores em busca de canais de diálogo, as centrais trabalhistas mantiveram a convocação de uma greve geral para o início do próximo mês. O governo agora tenta equilibrar a resposta rigorosa à segurança pública com demandas sociais por maior poder aquisitivo e investimentos em serviços essenciais.
Fontes consultadas
- Macron diz que não haverá mais distúrbios; manifestantes se organizam agenciabrasil.ebc.com.br
- O que se sabe sobre os protestos na França e qual a disputa ideológica em torno dos atos de violência? Entenda oglobo.globo.com
- Macron repudia falas 'estúpidas' de líderes sobre protestos na França | G1 g1.globo.com
- Paris estende toque de recolher pela terceira noite após onda de violência na França veja.abril.com.br
- Após protestos, Macron promete ordem na França e chama críticas externas de ‘estúpidas’ valor.globo.com