Mãe percebe alteração visual na filha e cria projeto de conscientização
A observação de uma condição ocular rara na infância motivou a criação de iniciativas de apoio e alerta para famílias no Brasil.
Quando uma criança se aproxima demais da televisão, aperta os olhos para enxergar de longe ou apresenta dificuldades na escola, nem sempre a primeira suspeita da família recai sobre um problema de visão. Na infância, alterações oculares podem permanecer silenciosas justamente porque os pequenos muitas vezes não sabem que estão enxergando de maneira diferente. Essa realidade levou especialistas e mães a reforçarem a importância da atenção à saúde ocular desde os primeiros meses de vida.
Diretrizes publicadas pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica apontam que os erros refrativos não corrigidos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, configuram a principal causa de deficiência visual infantil em diversos países, incluindo o Brasil. A Organização Mundial da Saúde corrobora o dado, explicando que o problema ocorre quando a luz não é focalizada corretamente na retina, gerando visão embaçada que pode interferir diretamente na aprendizagem e no desenvolvimento.
A necessidade de levar informação acessível às famílias motivou Suzana Matos a transformar uma vivência pessoal em um trabalho contínuo de conscientização. Formada em Direito e com especialização na área, ela percebeu uma alteração no olho da filha Isabella ainda na maternidade. "Fui eu que percebi que o olhinho dela estava estranho, estava platinado. Saímos da maternidade, minha mãe e eu, direto para o pronto-socorro oftalmológico", recorda.
O diagnóstico revelou catarata congênita, condição que exigiu atendimentos com dezenas de especialistas e múltiplas cirurgias ao longo dos anos. A experiência evidenciou a escassez de informações e de recursos tecnológicos acessíveis na época. Para registrar o aprendizado diário, Suzana passou a anotar cada etapa do tratamento em cadernos, hábito que mais tarde deu origem a materiais informativos e ao projeto social e educacional Anjo dos Olhinhos.
A condição enfrentada por Isabella reforça a relevância do rastreamento precoce ainda no período neonatal. O tradicional teste do reflexo vermelho, popularmente conhecido como Teste do Olhinho, desempenha um papel fundamental ao levantar suspeitas sobre patologias como catarata, glaucoma e retinoblastoma, exigindo encaminhamento imediato para investigação especializada.
O Ministério da Saúde tem buscado atualizar diretrizes para fortalecer a detecção precoce de alterações oculares e o acompanhamento na rede pública. Paralelamente, propostas legislativas tramitam para instituir o Dia Nacional da Saúde Ocular Infantil, buscando criar oportunidades anuais para estimular campanhas educativas e ampliar o debate sobre a prevenção na infância.
Especialistas ressaltam que, embora a observação atenta por parte de pais e responsáveis seja indispensável, ela não substitui a avaliação médica especializada. Como as crianças frequentemente não reclamam daquilo que não conseguem enxergar por desconhecerem uma visão melhor, o rastreamento periódico e o encaminhamento oftalmologista continuam sendo pilares essenciais para garantir o desenvolvimento saudável e a proteção da visão dos menores.
Fontes consultadas
- Mãe descobre diagnóstico raro e 'transformador' da doença do bebê por meio de estudo genético revistacrescer.globo.com
- Gêmea com síndrome da velhice precoce morre em Roraima aos 5 anos | G1 g1.globo.com
- Aos 57 anos, Tisha Campbell é diagnosticada com autismo; entenda terra.com.br
- Seu filho está enxergando bem? Especialista em saúde faz alerta importante que merece destaque - Revista Ana Maria revistaanamaria.com.br
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