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Economia

Marca de café artesanal cearense homenageia legado familiar

Produzido na Serra de Aratuba, o café arábica é cultivado em sistema agroflorestal e resgata tradições passadas por gerações.

Por 3 min de leitura

Marca de café artesanal cearense homenageia legado familiar
Marca de café artesanal cearense homenageia legado familiar

A professora Sâmia Nápoles, de 30 anos, apresentou nesta terça-feira (3) a marca Café Nápoles durante a 70ª edição da Exposição Agropecuária e Industrial do Estado do Ceará (Expoece), em Fortaleza. O empreendimento, criado há pouco mais de dois meses, é fruto de um esforço familiar que busca valorizar o cultivo de café 100% cearense, produzido na Serra de Aratuba, no Maciço de Baturité.

O projeto nasceu como uma homenagem ao avô de Sâmia, conhecido como Chico Cravo, que faleceu em 2023 aos 100 anos. Durante toda a sua vida, ele se dedicou à cafeicultura, transmitindo o conhecimento técnico e a paixão pela terra para a família. A marca busca dar continuidade a esse legado, transformando a produção artesanal em um negócio com foco na qualidade e no respeito ao ecossistema local.

O café produzido pela família é classificado como arábica e cultivado sob a sombra de árvores centenárias da Mata Atlântica. Segundo Sâmia, o processo é inteiramente manual e artesanal, desde a colheita até a torra. “Nós plantamos, colhemos e fazemos a separação dos grãos em bacias com água para garantir que apenas os melhores sejam processados. Depois, pilamos o café e finalizamos no fogão a lenha”, explica a empreendedora.

Além do café em grãos ou moído, a família comercializa mel de abelhas nativas, especificamente a espécie uruçu amarela, que não possui ferrão. A produção do mel está integrada ao cafezal, onde as abelhas desempenham um papel fundamental na polinização. “É um sistema agroflorestal ecológico, onde a abelha poliniza o café e vice-versa. Elas permanecem em seu habitat natural, dentro das colmeias instaladas nos troncos das árvores da propriedade”, destaca Sâmia.

A produção é limitada, ocorrendo apenas uma vez ao ano, com uma colheita que dura cerca de um mês. Os produtos são oferecidos em embalagens que variam de 80g a 1kg, com preços entre R$ 10 e R$ 30. A marca também disponibiliza opções de torras clara, média e escura, além de biscoitos sabor café, reforçando a diversidade da produção artesanal do sítio da família.

A participação na Expoece, que segue até o dia 8 de novembro no Parque de Exposições Governador César Cals, marca a estreia da família como expositora. Sâmia, que concilia o empreendedorismo com a graduação em Letras, ressalta que o objetivo é mostrar a potência produtiva do Ceará. “Queremos levar a qualidade dos produtos do Maciço de Baturité para além da nossa região e quem sabe, no futuro, alcançar outros estados do Brasil”, conclui.

Fontes consultadas

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