Microsoft encerra contrato para centro de dados de IA em Loughton
Atrasos na conexão de energia elétrica inviabilizaram o projeto que previa a instalação de milhares de GPUs na região de Essex, no Reino Unido.
A gigante de tecnologia Microsoft rescindiu o contrato que a tornava a principal cliente do futuro centro de dados de inteligência artificial da empresa Nscale, localizado em Loughton, Essex, no Reino Unido. A decisão foi motivada por entraves significativos na infraestrutura energética, que adiaram a previsão de fornecimento de eletricidade para o local até o início da década de 2030.
O projeto em Loughton tinha como objetivo principal oferecer 50 megawatts de capacidade de processamento para a plataforma Azure, com potencial de expansão para 90 megawatts. A expectativa inicial da Nscale, anunciada em setembro de 2025, era de que a operação começasse no primeiro trimestre de 2027, contando com mais de 23 mil unidades de processamento gráfico NVIDIA GB300. O investimento total previsto para a construção da unidade era de 2 bilhões de libras.
Em comunicado oficial, um porta-voz da Microsoft esclareceu que a medida se restringe exclusivamente ao local de Loughton. A empresa reforçou que mantém seu compromisso com a parceria estratégica com a Nscale, visando o fortalecimento da infraestrutura digital e o suporte ao avanço da inteligência artificial em escala global.
A operadora de rede de distribuição local, UK Power Networks, indicou que a disponibilidade de energia suficiente para o empreendimento não ocorreria antes de meados da próxima década. A empresa ressaltou que diversos centros de dados dependem de obras de grande porte na rede nacional de transmissão de eletricidade, o que impacta o cronograma de início das operações de diversas unidades no país.
Apesar do cancelamento do contrato com a Microsoft para este local específico, a Nscale informou que continua avaliando alternativas para o terreno em Loughton, incluindo a possibilidade de geração de energia no próprio local ou a aceleração do processo de interconexão. A empresa também mantém o foco em outros projetos de expansão dentro do território britânico.
O contrato original entre as duas empresas, firmado em outubro de 2025, previa a utilização de cerca de 200 mil GPUs GB300 distribuídas por quatro países. Além do projeto britânico, o acordo contempla a instalação de aproximadamente 12,6 mil unidades no Start Campus, localizado em Sines, Portugal, além de 52 mil unidades em Narvik, na Noruega, por meio de uma joint venture com a Aker.
A Microsoft havia incluído o supercomputador de Loughton em seu plano de investimentos de 30 bilhões de dólares para o Reino Unido, anunciado para o período entre 2025 e 2028. Metade desse montante foi destinada a despesas de capital, enquanto o restante visa cobrir as operações contínuas da companhia no mercado britânico.