Ministério Público denuncia sete pessoas por crimes em clínicas em Minas
Investigação aponta que estabelecimentos clandestinos em Montes Claros mantinham internos em cárcere privado, sofrendo tortura e abusos.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia contra sete pessoas investigadas por envolvimento em um esquema de tortura, estupro e cárcere privado em clínicas localizadas em Montes Claros, no Norte de Minas. Os crimes teriam ocorrido entre 2023 e 2026 na Clínica Assistencial Fortalecer e no Instituto Feminino Fortalecer.
De acordo com as investigações, a rede clandestina mantinha 15 pessoas em situação de isolamento, incluindo nove adolescentes e quatro mulheres com transtornos mentais. As vítimas eram privadas de liberdade, sem acesso a documentos ou telefones, e enfrentavam agressões físicas, contenções mecânicas em camas, administração de medicamentos sem prescrição médica e trabalho forçado.
O proprietário das unidades, apontado como líder da organização criminosa, é acusado de utilizar sua posição de autoridade para cometer abusos sexuais contra as internas, levando adolescentes a motéis sob a promessa de liberação antecipada. A denúncia do MPMG também alcança três coordenadoras, uma técnica de enfermagem, um psicólogo e um encarregado de vigilância.
A estrutura criminosa contava com forte esquema para burlar a fiscalização. Em novembro de 2025, o proprietário abandonou uma adolescente de 15 anos à beira de uma rodovia após proferir ameaças para evitar denúncias. Já durante operações policiais realizadas em agosto de 2026, cerca de 20 mulheres foram escondidas em áreas de mata para evitar o flagrante das autoridades.
O esquema gerava lucros expressivos. Os estabelecimentos receberam mais de R$ 700 mil repassados por 23 municípios mineiros entre 2022 e abril de 2026, além dos valores cobrados diretamente das famílias por internações compulsórias consideradas irregulares. O funcionamento ocorreu mesmo após a interdição judicial decretada em fevereiro de 2025, estendendo-se até novas diligências e prisões efetuadas em setembro de 2026.
Os envolvidos respondem perante a Justiça por crimes como organização criminosa, cárcere privado, tortura, estupro, importunação sexual e coação no curso do processo. O caso segue sob apuração para dimensionar a extensão total da rede e a responsabilidade de todos os envolvidos nas práticas abusivas.
Fontes consultadas
- Adolescentes eram torturadas e abusadas em clínicas clandestinas contilnetnoticias.com.br
- TJMG condena Copasa por crimes sexuais cometidos por ex-funcionário em MG noticias.r7.com
- Suspeita de integrar esquema de exploração sexual infantil é presa no Rio; rede mirava meninas de Cidade de Deus e Jacarezinho oglobo.globo.com