Ministro diz que Argentina tem excedente de dólares, enquanto laboratório paralisa
Enquanto Luis Caputo aponta estabilidade cambial em fórum internacional, trabalhadores enfrentam salários atrasados no interior paulista e bonaerense.
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, afirmou durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Banguecoque, na Tailândia, que o país vive um cenário de excedente de dólares. A declaração foi feita em meio a negociações para solicitar um novo desembolso financeiro à instituição global e obter dispensa por metas fiscais não cumpridas pelo governo de Javier Milei.
Durante o evento na Tailândia, Caputo destacou que as aquisições do Banco Central se aproximam de 16 bilhões de dólares no acumulado do ano, o que proporcionaria maior estabilidade ao mercado de câmbio. O titular da Fazenda também argumentou que o avanço nos projetos do Regime de Incentivo para Grandes Investimentos permitirá a eliminação definitiva das restrições para a compra da moeda estrangeira e a realização de importações por parte das empresas.
Segundo o ministro econômico, o RIGI já conta com 50 bilhões de dólares em projetos aprovados e outros 160 bilhões de dólares previstos em carteira. Com esses montantes, a gestão federal promete facilitar o acesso ao crédito para o setor privado, que conforme dados oficiais teria crescido expressivamente nos últimos anos, além de continuar com a agenda de desregulamentações e redução de impostos para impulsionar a competitividade nacional.
Em contrapartida ao discurso oficial de bonança econômica e atração de capitais estrangeiros, o cenário interno revela desafios e tensões trabalhistas decorrentes da atual conjuntura financeira. No município de Ituzaingó, na província de Buenos Aires, cerca de 40 funcionários do Laboratorio Valmax foram impedidos de entrar na planta industrial após paralisarem as atividades devido a atrasos recorrentes no pagamento dos salários.
A companhia farmacêutica, que emprega aproximadamente 60 pessoas, começou a fracionar os pagamentos mensais em duas parcelas a partir de abril, justificando a decisão por causa de dificuldades financeiras e do contexto macroeconômico. No entanto, os empregados relataram que o cronograma deixou de ser cumprido e que a empresa atualmente acumula débitos referentes à metade dos salários do mês anterior, sem fornecer previsões de regularização.
Diante da paralisação e do bloqueio de acesso à fábrica sem justificativa formal por parte da administração, fiscais do Ministério do Trabalho da província de Buenos Aires compareceram ao local para intermediar o conflito. Uma audiência oficial foi marcada para a próxima segunda-feira, momento em que a direção da empresa deverá apresentar uma proposta formal para quitar os valores devidos e restabelecer o funcionamento das operações.