Ministros do STF avaliam ignorar Flávio Bolsonaro e focar em Alcolumbre
Magistrados discutem estratégia para evitar confrontos políticos após a fuga do senador derrotado nas urnas e buscam aproximação com o comando do Senado.
Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) discutem uma mudança de estratégia institucional diante das recentes movimentações do senador Flávio Bolsonaro, derrotado no segundo turno da eleição presidencial. Em vez de adotar novas medidas judiciais imediatas contra o parlamentar, que deixou o país rumo aos Estados Unidos após descumprir ordens de entrega de passaportes, magistrados avaliam reduzir a exposição pública do caso e concentrar esforços na articulação política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, visando a sucessão na mesa diretora em fevereiro de 2027.
A discussão interna na Corte ganhou força após a divulgação de uma carta na qual Flávio contestou o resultado das urnas e se autointitulou líder do Brasil. Na avaliação de ministros e auxiliares do Supremo, responder às declarações com medidas drásticas, como uma prisão preventiva, poderia gerar efeitos políticos desfavoráveis e ampliar a visibilidade do parlamentar em um momento em que até mesmo aliados buscam distância. A orientação, contudo, não representa o encerramento dos inquéritos em andamento, cujas investigações seguem normalmente.
Paralelamente, o comportamento de ministros que possuem histórico de proximidade com o bolsonarismo também registrou mudanças. Indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, André Mendonça e Nunes Marques buscaram se descolar das contestações eleitorais. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, chegou a divulgar uma nota oficial reafirmando a legitimidade do resultado das eleições e a segurança da apuração, reforçando o respeito à vontade soberana do eleitorado.
Nos bastidores do Supremo, a decisão do ministro Alexandre de Moraes de ainda não autorizar mandados de busca e apreensão solicitados pela Polícia Federal contra o senador passou a ser interpretada por colegas como um indício da nova postura de cautela. A prioridade atual do grupo no tribunal é preservar canais de diálogo com Davi Alcolumbre, considerado peça-chave nas relações institucionais com o Judiciário e na composição da futura direção do Senado federal.
Enquanto o Judiciário reavalia seus passos, o governo federal adota uma postura semelhante no âmbito diplomático. Orientado pelo Itamaraty, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva foi aconselhado a manter o pragmatismo e ignorar a fuga do senador para Miami, deixando o caso estritamente sob a tutela da Justiça. A avaliação diplomática sugere que o Planalto evite embates diretos com os governos dos Estados Unidos e da Argentina, suspeitos de auxiliarem na evasão de Flávio.
Apesar das declarações do presidente americano Donald Trump criticando o pleito brasileiro e confirmando a entrada do senador norte-americano sob o status temporário de parole, a estratégia brasileira aposta no silêncio oficial e no monitoramento do cenário político internacional. A Executiva Nacional do PT, por sua vez, aprovou uma resolução política afirmando que o país não aceitará interferências estrangeiras em sua democracia.
Fontes consultadas
- STF avalia ignorar Flávio Bolsonaro e fortalecer aliança com Alcolumbre brasil247.com
- Itamaraty orienta pragmatismo de Lula com EUA e Argentina no caso Flávio noticias.r7.com
- Nunes Marques e Mendonça tentam se afastar de Flávio após carta de teor golpista oglobo.globo.com
- Itamaraty orienta pragmatismo de Lula com EUA e Argentina no caso Flávio Bolsonaro diariodepernambuco.com.br