Moradores protestam em Salvador por indenizações após contaminação em praia
Manifestação bloqueou a Estrada do Derba para cobrar auxílio financeiro e respostas sobre o desastre ambiental em São Tomé de Paripe.
Moradores, pescadores e marisqueiros realizaram um protesto na manhã desta terça-feira (3) na BA-528, conhecida como Estrada do Derba, nas proximidades de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador. O ato teve como objetivo cobrar o pagamento de indenizações prometidas às famílias afetadas pela contaminação da praia da região e criticar a falta de assistência financeira e social.
A manifestação bloqueou as duas pistas da rodovia e gerou retenção no tráfego de veículos e carretas. Policiais militares da 19ª CIPM acompanharam o ato, que reuniu cerca de 50 pessoas, e negociaram a liberação total da via ainda durante a manhã, normalizando o fluxo sem registros de ocorrências graves.
A contaminação da praia começou a ser investigada em fevereiro deste ano, após o surgimento de manchas de coloração azul e amarela na faixa de areia e no mar. Análises laboratoriais do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos identificaram altas concentrações de cobre e nitrato amoniacal em estruturas de drenagem ligadas ao terminal marítimo local, o que resultou na interdição da área para banho e atividades econômicas.
O episódio impactou diretamente centenas de famílias que dependem do mar para o sustento. Durante o protesto, comerciantes e trabalhadores relataram acúmulo de dívidas, perda de equipamentos de trabalho devido ao tempo paralisado e dificuldades extrema de subsistência, afirmando que as cestas básicas distribuídas até o momento são insuficientes para suprir as necessidades básicas.
Em setembro, representantes de órgãos estaduais e federais, como o Ministério Público da Bahia e o Ministério Público Federal, reuniram-se com a Gerdau para discutir um Termo de Ajustamento de Conduta que prevê valores de reparação. Contudo, os manifestantes afirmam que nenhuma quantia foi depositada até o momento. Enquanto isso, as empresas investigadas divergem sobre a responsabilidade pelos danos.
O Inema aplicou multas de R$ 50 milhões à Gerdau e de R$ 20 milhões à Intermarítima em junho, apontando a participação de ambas nas atividades de estocagem e movimentação de granéis sólidos que provocaram a contaminação. Além disso, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 387,6 milhões em bens das companhias, e a Prefeitura de Salvador prorrogou o decreto de situação de emergência na região.
Paralelamente, autoridades políticas locais e moradores divergem sobre a manutenção do fechamento total da faixa litorânea. Um vereador da região argumenta que laudos técnicos permitem a reabertura de grande parte da praia, restringindo a interdição apenas ao entorno do porto, o que permitiria a retomada das atividades de lazer e comércio. Por outro lado, pesquisadores e órgãos ambientais continuam avaliando os riscos sociais, ambientais e à saúde pública na área afetada.
Fontes consultadas
- Moradores de São Tomé de Paripe protestam contra falta de indenizações após contaminação de praia | iBahia ibahia.com
- Vereador pede reabertura da Praia de São Tomé de Paripe e questiona interdição total após contaminação - Metro 1 metro1.com.br
- Veja quais praias de Salvador estão adequadas para banho no feriadão | G1 g1.globo.com
- VÍDEO: População interdita uma das faixas da Estrada do Derba e gera fila de carretas bnews.com.br