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Saúde

Novo exame de sangue para detectar Alzheimer chega ao Brasil

Procedimento inovador e menos invasivo passa a ser oferecido em Porto Alegre para auxiliar no diagnóstico precoce da doença.

Por 2 min de leitura

Novo exame de sangue para detectar Alzheimer chega ao Brasil
Novo exame de sangue para detectar Alzheimer chega ao Brasil

O primeiro teste de sangue voltado para auxiliar no diagnóstico da doença de Alzheimer chegou oficialmente ao Brasil, passando a ser oferecido no Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, a partir de 15 de outubro. A nova tecnologia utiliza métodos ultrassensíveis de eletroquimioluminescência para detectar vestígios da proteína p-tau217 na corrente sanguínea, um marcador diretamente associado ao acúmulo de placas beta-amiloides no cérebro.

Segundo especialistas responsáveis pela validação da acurácia do exame na instituição gaúcha, a técnica é capaz de identificar quantidades infinitesimais da substância, comparáveis a uma colher de açúcar diluída em uma piscina olímpica. O processo envolve a coleta de plasma sanguíneo e a aplicação de anticorpos sintéticos desenvolvidos em laboratório, que se ligam aos fragmentos proteicos e emitem sinais luminosos detectados apenas por equipamentos de alta precisão.

A principal vantagem do exame em relação aos métodos tradicionais é o seu caráter menos invasivo. Enquanto a detecção da proteína p-tau217 dependia historicamente de uma punção lombar para a extração do líquor — procedimento mais desconfortável e sensível a erros de transporte —, a nova tecnologia exige apenas uma coleta simples de sangue.

Especialistas apontam que a facilidade de coleta poderá, no futuro, democratizar o acesso ao rastreio para populações vulneráveis ou residentes em áreas isoladas, como comunidades ribeirinhas, onde o transporte de amostras sanguíneas refrigeradas é logisticamente mais viável do que o manuseio do líquor.

Atualmente, o teste de sangue está disponível apenas na rede privada de saúde, mas a instituição responsável estuda a viabilidade de submeter a tecnologia à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. A expectativa é que, com a popularização da demanda, os custos operacionais possam ser reduzidos significativamente.

Os médicos ressaltam que o exame não deve ser utilizado de forma isolada para fechar o diagnóstico de Alzheimer. A recomendação atual restringe a aplicação do teste a pacientes que já apresentam queixas de esquecimento e confirmação objetiva de comprometimento cognitivo leve por meio de testes neuropsicológicos.

Caso o resultado aponte a presença da proteína e das placas cerebrais, os médicos indicam a necessidade imediata de intervenções voltadas à proteção do cérebro. As condutas incluem o controle rigoroso de fatores de risco como hipertensão, diabetes, sedentarismo e obesidade, além do tratamento de comorbidades como depressão e perdas auditivas ou visuais, que influenciam na progressão do quadro.

Fontes consultadas

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