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Novo filme de Giovanni Veronesi aborda o poder da comédia no século XVII

Estreia nacional traz Pierfrancesco Favino como um frate capuchinho que evangeliza por meio do riso.

Por 2 min de leitura

Novo filme de Giovanni Veronesi aborda o poder da comédia no século XVII
Novo filme de Giovanni Veronesi aborda o poder da comédia no século XVII

O diretor italiano Giovanni Veronesi retorna às telas com um projeto cinematográfico inédito intitulado "Dio ride", que coloca o humor no centro de uma narrativa histórica ambientada no século XVII. A produção, que chegou aos cinemas no final de outubro, explora como a comédia pode se transformar em uma ferramenta de questionamento e contestação diante das estruturas de poder vigentes na época.

A trama acompanha a trajetória de Leopoldo da Casamaggio, um frate capuchinho analfabeto interpretado pelo ator Pierfrancesco Favino. O personagem possui um dom peculiar: ele transmite passagens do Evangelho e os milagres de Jesus provocando o riso nas pessoas. Suas preces bem-humoradas atraem multidões para as praças públicas, ao mesmo tempo em que esvaziam os templos religiosos tradicionais.

O sucesso popular das pregações de Leopoldo desperta a preocupação das autoridades e da hierarquia religiosa. Para investigar se o frate atua como um impostor ou um propagador de heresias, o Vaticano decide enviar o cardeal Vincenzo Maculani, papel vivido por Silvio Orlando. O encontro entre os dois personagens desencadeia um confronto de ideias destinado a abalar as certezas de ambos.

Durante a concepção da obra, o cineasta dedicou três meses de pesquisa nos arquivos do Vaticano para estruturar o pano de fundo histórico que envolve o universo dos hereges. Embora o contexto temporal seja rigorosamente respaldado por investigações documentais, o protagonista frade Leopoldo é uma criação ficcional idealizada pelo próprio diretor para a narrativa.

Para dar vida ao frate, Pierfrancesco Favino adotou uma abordagem linguística específica, utilizando um dialeto antigo da região da Úmbria combinado com termos inventados. Na visão de Veronesi, o elenco principal funciona com dinâmicas distintas na atuação, comparando Favino a um veículo potente e ruidoso, enquanto define a interpretação de Silvio Orlando como uma atuação refinada e silenciosa.

Além do núcleo principal, o elenco do longa-metragem conta com a participação de nomes como Alma Noce, Paolo Rossi e Carlo Cecchi. O projeto marca uma guinada na filmografia de Veronesi, que optou por investir em uma temática de maior profundidade emocional e reflexiva em comparação com as comédias comerciais que marcaram sua carreira anterior.

Fontes consultadas

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