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Brasil

Paciente recusa atendimento de técnico nordestino em UPA de Santa Catarina

Homem de 44 anos foi acusado de ofender e ameaçar profissional de saúde durante plantão médico no Sul catarinense.

Por 2 min de leitura

Paciente recusa atendimento de técnico nordestino em UPA de Santa Catarina
Paciente recusa atendimento de técnico nordestino em UPA de Santa Catarina

Um paciente de 44 anos é acusado de recusar atendimento médico e proferir ofensas xenofóbicas contra um técnico de enfermagem de 32 anos, natural da Paraíba, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O caso ocorreu na noite do último domingo, por volta das 19h50, na unidade localizada no Centro do município de Forquilhinha, no Sul de Santa Catarina.

De acordo com relatos de funcionários repassados à Polícia Militar, o homem chegou ao local alterado após se ferir em um acidente de trânsito. Ele exigia rapidez no atendimento, mas recusou ser tratado pelo profissional paraibano, afirmando que não queria ser atendido por um enfermeiro nordestino e que todos da região deveriam voltar para a terra deles.

A agressividade verbal e as ameaças continuaram mesmo após a chegada da polícia à unidade de saúde. Uma enfermeira que presenciou a cena confirmou a versão do colega de profissão, relatando que o paciente proferiu xingamentos e realizou comentários de cunho ameaçador contra a equipe médica e de enfermagem presente no plantão.

O suspeito, identificado pelo Jornal Razão como Rafael Dal Pont Corneo, negou as acusações em sua defesa. Em sua versão dos fatos, ele afirmou que não xingou ninguém, que não chamou o técnico de nordestino e que apenas estava sentindo dores decorrentes do acidente, justificando que sua única intenção era receber atendimento médico.

Após a intervenção da Polícia Militar, foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) sob a acusação de desacato, uma infração penal de menor potencial ofensivo. O paciente assinou o documento, assumindo o compromisso de comparecer perante o Juizado Especial Criminal, e foi liberado ainda no local.

A classificação inicial da ocorrência gerou questionamentos legais, uma vez que a conduta pode configurar crime de preconceito por origem regional. O comandante da 4° Companhia do 9° Batalhão de Polícia Militar, capitão Ramon Marcelina Spillere, admitiu que pode ter havido equívoco no enquadramento feito pelos agentes que atenderam o chamado e informou que a conduta será apurada internamente.

Apesar da apuração interna da corporação, a autoridade policial ressaltou que isso não exime o acusado de responsabilidade. Ao receber o documento, o Ministério Público de Santa Catarina terá a prerrogativa de reclassificar os fatos para o crime de xenofobia, caso avalie ser procedente. Até a última atualização das informações, o órgão ministerial ainda não havia recebido o TCO, e a prefeitura de Forquilhinha preferiu não se manifestar sobre o caso.

Fontes consultadas

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