Pesquisa aponta que mais de 80% dos médicos sofreram violência na Paraíba
Conselho Regional de Medicina lançou nesta segunda-feira um aplicativo para centralizar denúncias de agressões contra profissionais no estado.
Mais de 80% dos médicos que atuam na Paraíba já enfrentaram algum episódio de violência durante o exercício de sua profissão. A revelação faz parte de um levantamento conduzido pelo Conselho Regional de Medicina do estado (CRM-PB) e foi divulgada nesta segunda-feira (19), em João Pessoa, durante o lançamento de uma ferramenta digital voltada para o registro dessas ocorrências.
Conforme os dados apresentados pelo conselho, 80,4% dos profissionais relataram ter passado por situações de agressão ao longo da carreira. O cenário estadual reflete uma preocupação que também se manifesta em âmbito nacional: somente no ano de 2024, o Brasil contabilizou mais de 4,5 mil boletins de ocorrência referentes a crimes praticados no interior de unidades de saúde.
Para combater esse panorama, o CRM-PB apresentou o aplicativo batizado de Observatório da Violência contra o Médico. A ferramenta tecnológica tem como principal objetivo catalogar de forma detalhada as informações sobre os episódios de hostilidade, permitindo traçar um panorama abrangente sobre a incidência desses casos.
O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro, destacou a relevância de mapear os incidentes para formular estratégias de enfrentamento. Segundo ele, o problema é real e atual, exigindo conhecimento preciso sobre os locais, as circunstâncias e os autores das agressões para que medidas concretas sejam adotadas.
Entidades de classe também celebraram a chegada da nova tecnologia. O presidente do Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB), Tarcísio Campos, afirmou que a categoria lida diariamente com relatos de violência em suas instâncias de atendimento e avaliou que o aplicativo trará mais agilidade e eficácia às respostas institucionais.
O lançamento do instrumento contou ainda com a presença de representantes da Polícia Civil, que enfatizaram a importância do monitoramento contínuo das denúncias e o início das investigações sobre os casos reportados. Com a união de esforços entre órgãos de classe e autoridades de segurança, espera-se conferir maior proteção aos profissionais da área médica.
Disponível para download gratuito em sistemas operacionais Android e iOS, o aplicativo pretende facilitar a comunicação por parte dos profissionais agredidos. A expectativa dos organizadores é que a facilidade no registro resulte em um aumento na precisão dos dados estatísticos, fundamentais para coibir a violência nas unidades de saúde paraibanas.